breve descrição de nada



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antiga avenida descendente de jardins históricos outrora sumptuosos parcialmente destruída e ladeada de estatuária branca profanada com graffittis e tapada por silveiras com amoras em perfeita esquadria com um comprido lago central vedado por um muro de pedra coberto por uma malha de minúsculas flores silvestres vermelhas em forma de lágrima onde as primeiras chuvas se acumulam sobre as ancestrais águas verdes paradas nas quais se adivinha um céu de nuvens alvas desenhadas pela soberba mancha de luz clara e temperada de um pôr-do sol de outono que se desfaz sobre o espelho de água em finos raios ondulados incapazes de serem olhados sem timidez ao longo de um breve e frágil percurso luminoso que não leva a lugar algum.
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[listening: laroux, bulletproof]
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se esta rua fosse minha…

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“alice, através do espelho”
concept: rute carvalho | texto: mafalda martins
sábado, 3 de outubro, “se esta rua fosse minha” [ver programa AQUI]
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o peso do beijo

. o beijo é um bem-querer. entre amigos um adeus ou um olá. nos amantes, a paixão. basium é como se diz em latim. o toque dos lábios em qualquer coisa, em alguém. o beijo é tão antigo quanto homem. nos primitivos era para os deuses. nos gregos e romanos para toda a gente. o beijo é química: 9 mg de água, 0,7 g de albumina, 0,18 g de substâncias orgânicas, 0,711 mg de gorduras e 0,45 mg de sais. e matemática: 29 músculos em movimento, 12 quilos de pressão, 3 sentidos em acção. tudo é beijo. a ciência do beijo, o fobia do beijo, a doença do beijo, a academia do beijo, o dia mundial do beijo. o beijo devia mandar! o beijo é uma arte. casablanca no cinema, romeu e julieta na literatura. 30 versões ilustradas no kamasutra. o beijo é o sapo que vira príncipe! o beijo de língua, o beijo francês. mata o desejo, já dizia o poeta aleixo. é uma linguagem, um diálogo universal. e não se aprende, sabe-se. o beijo pode ser um pesadelo. tem uma boca por trás. dentes podres, mau hálito e herpes. 250 vírus e bactérias, a gripe. o beijo e-m-a-g-r-e-c-e! 12 a 15 calorias em 10 segundos. 400 em 5 minutos. é o beijo de olhos de don juan. ou o beijo de olhos fechados. o primeiro-beijo. a memória: sabe, sente e cheira para sempre. um beijo dá-se em todas as línguas: bacci, beso, bisous kiss, kuss e Kuchizuke. e tem sotaque: beijoê no puarto, veijo em biána, bêjo no alentejo. em lisboa são treuze beijos encarnados. a planta é o beijo-de-frade. o beijinho, um doce tradicional ou uma concha do mar. um beijo na mão é um gesto romântico. o beija-mão, um sinal de reverência. o beijo é um acto ilícito. pode ser roubado. ou proibido. mas não acarreta prisão. o beijo é partilha. um processo de transferência. um choque frontal. é infinito: 24 mil por pessoa na vida; 2 biliões de possibilidades na terra. um beijo não se recusa. um beijo na face pede-se e dá-se! .
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* texto realizado para a edição do impresso improviso que integra a programação do evento “memórias de um centro em festa”, apresentado no centro de memória de vila do conde a 5 e 6 de setembro, juntamente com o projecto hoje há greve, no âmbito da programação proposta pela nuvemvoadora [programa completo AQUI].
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medo é memória

hoje, aqui, agora

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talvez o abismo não seja assim tão grande se deixarmos que a felicidade se sobreponha.
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férias






[gerês, ermal, ponte de sor, montargil, avis, lisboa 2009]
uma astronauta, uma vaqueira e uma varina. uma casa sem telhado para se verem as estrelas mais brilhantes. um monte sobre as terras altas do alentejo. um piano admiravelmente triste e uma melancia alcoólica. e mais uma piscina com muitas gentes. e um pedaço de rio sem absolutamente ninguém. uma cegonha e uma águia no céu, um presumido javali e uma cobra imaginária. o pereira e a dona belita e a mulher do presidente da junta. um teatro que não se chega a entrar e uma actriz que se gosta de conhecer. azinheiras e sobreiros, pão e vinho. uma mesa requintada para motivar a partilha. a imaginação livre e sempre a esperança. uma fotografia dos anos setenta com três rockers destruídos. barrigas cheia de mimo e risadas altas. uma lágrima descontinuada para lembrar que a existência é real.
>> para ouvir: erik satie, gymnopédie
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pouco tempo, muita vida



















[maio-agosto 2009: festival imaginarius, homem T, parada do dia da europa no porto, mazaroska no encerramento da exposição de isabel lhano, tapetes de flores de vila do conde, feira medieval de famalicão, encontros da imagem de braga, festival de músicas do mundo de sines, MUDE - Museu do Design e da Moda, festival de curtas metragens de vila do conde, a versão zero do kanukanakina nos maus hábitos. concerto yell band azenha d. zameiro, concerto mosh plano b, os irmãos esferovite na praça josé régio]
sempre as pessoas. sempre a fotografia, a música, a pintura e cinema. sempre a fantasia. sempre o porto e vila do conde e mais alguns sítios. sempre as flores. sempre as noites e os dias. sempre os amigos… embora nem sempre o tempo seja muito.
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memória

porque no fim, é só o amor que vale, é só o amor que fica. e a memória que o regista.
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tell me the truth

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“and you know what’s so good about the truth? everyone knows what it is however long they’ve lived without it. no one forgets the truth, they just get better at lying”.
richard yates, revolutionary road, 1960.
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ridiculous delusion


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“hopeless emptiness. now you’ve said it. plenty of people are onto the emptiness, but it takes real guts to see the hopelessness”.
richard yates, revolutionary road, 1960
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hopeless emptiness



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“if being crazy means living life as if it matters, then I don’t mind being completely insane”.







