vou ali dar um mergulho e já venho…
… e deitar um ouvido às músicas do mundo em porto covo/festival de sines.
>> listening: naifa, uma inocente inclinação para o mal [free download aqui / pass: www.portugal-albums.com]
impressões-nem-sempre-digitais
as imagens são do impressoimproviso nos maus hábitos, mas o filmezinho foi da edição que fizemos no muuda. os links vão dar às respectivas referências.
>> listening: ben harper, sexual healing.
…
… eu sou boa nisto
[praga, abril 2008]
procrastinação é…. adiar, prolongar o começo, sonhar-acordado.
>> o filme neste link: procrastination is…
>> o festival desta semana neste link: curtas-metragens de vila do conde.
…
as-pequenas-coisas…*
comecei a escrever com hífenes quando li o-deus-das-pequenas-coisas. a autora indiana fazia-o com maiúsculas. há conceitos que cabem melhor dentro destes comboios-de-palavras. uma espécie de compactação de ideias que responde às necessidades de velocidade e de imediatismo. e de superficialidade, pois assim não é preciso dizer tanto… até porque já não há tanto que dizer. e muito pouco para inventar. nada que imite a descoberta da roda ou do fogo… nem tão pouco que simule algo infinitamente menor do que isso. o nosso momento, esta migalha-de-tempo-de-vida, não é um épico! e a diferença, creio, está nas pequenas-coisas. nestas que estão aqui à mão. na palavra para inverter a-crise-e-o-mundo-e-o-preço-dos-combustíveis-e-a-falta-de-valores, mas isso fica para o próximo post. na liberdade de acção para reinventarmos a pessoa, essa que é a valia de não termos nascido na idade média. na possibilidade de atravessarmos a rua para descobrir o outro lado… e conhecermos a nossa sombra, individual e única. mas há um trajecto implícito: caminhar pela estrada antes de atravessar. e lá, no fim do percurso, que é sempre apenas mais um, podemos então morder a tarde-de-amora-com-sabor-a-amor e, quem sabe, roubar o beijo de alguém… como no filme.
*… ou o 42.º post.
momentos…
cigarettes and chocolate milk
[rufus wainwright, casa das artes de famalicão, junho de 2008]
e foi o que foi, sem direito a mais nem menos. uma voz capaz de, sozinha, encher um auditório. e de tirar o fôlego dos que lá estavam. o piano e a guitarra como acompanhamento prodigioso, o humor como suporte, para quebrar a intensidade desconcertante de cada música. muitas das melodias ansiadas, com direito a uma “greek song” e a alguns “cigarettes and chocolate milk”. o momento “hallelujah” do cohen (…ou será do cage?) a apelar à lágrima. e ainda assim, duas-horas-e-picos e três encores depois, ouviam-se uns quantos “faltava aquela”, sempre mais uma, nos corredores de saída. pelo meio, uns assobios à alemanha, por quem iria torcer (azarito!) ao lado do namorado; uns piropos à selecção turca, não tivesse os jogadores mais giros; uns trocadilhos com a orquídea que trazia ao peito e o carpaccio de bacalhau que comera ao jantar; um elogio (?) à cidade do porto, “fantástica… mas surreal”; uma dica sobre o blackoutsabbath que promoveu e uma martelada no saint-john-the-baptist da sua terra natal. et voilá…
[listening: hallelujah]
never good enough
… o que fazer quando somos irremediavelmente médios em tudo o que fazemos?
[listening: grinderman, go tell the woman]
este não é o meu tempo
[tresmundes, trás-os-montes, maio de 2008]
foi nesta casa que nasceu o meu avô paterno. em 1913, creio. já morreu. tinha 94 anos e eu uns 23… não estou certa. nunca tinha ido à aldeia, a tresmundes. só à outra, a da minha avó com quem me pareço, que se chama limãos. ambas ficam perto de chaves, entre as montanhas, na conclusão de estradas estreitas de terra batida. quase sem habitantes. a casa foi sendo morada de outras pessoas. ainda primos, com certeza, que não conheço. mas o baú continua lá. a mala de viagem do pai do meu avô. alguém que nasceu no século passado e que gravou as suas iniciais numa arca [P.M.]. ali foi colocada e ali permanece. o marco de um tempo que não é o meu.
[listening: feist, the reminder]
>> “o apocalipse dos trabalhadores” - novo romance de valter hugo mãe
over the limit
… ou não! dou por mim a pensar nisso. nos nossos princípios e nos nossos limites. nos outros. em nós. e somos sempre dois! cada um no seu querer. e queremo-nos todos. numa fronteira atribulada de neurónios e feromonas. somos tanta coisa e tanta gente que nos perdemos nos limites. precisamente aqueles que, ainda que timidamente, fizemos questão de destruir. esses dos nossos-outros-eus das gerações anteriores, que agora suamos para reproduzir. porque perseguimos exactamente o mesmo fim: paixão! …companhia, mimo, protecção, amor. uma família, de sangue ou não. trabalho, realização. honestidade, lealdade e amizade. viagens e animais de estimação. nas suas muitas equações possíveis. e queremos tudo! sob ameaça de amuarmos para o mundo, como se ele se fosse importar com isso. e com intensidade. sem pudor nem receio de pedir o que não damos. não damos por falta de atitude. ou porque não sabemos. perdemos-nos na tradução. na informação. somos pessoas-mosaico. estórias paralelas ou caminhos que se cruzam. sempre um link para outra coisa qualquer. e sobra-nos espaço! diz-se p-o-s-s-i-b-i-l-i-d-a-d-e. que, à luz da história-mãe-da-humanidade, se traduz em liberdade. utópica, ilusória, manipulada, chamem-lhe o que quiserem. mas é uma liberdade. pequenininha. que infelizmente não é para todos. mas que nos leva a furar barreiras. permite-nos quebrar o silêncio! a mim. ao outro. a cada um de nós. a todos os que se debatem diariamente com o vazio emocional do dia de amanhã. porque somos nós que riscamos a fronteiras… de consciência, de vontade, de desejo, de coerência, de equilíbrio, de honestidade, de pensamento. esse “limite” que é uma espécie de “novo pecado”, de super-ego renovado no seu papel de super-herói. que nos conduz nas relações e nas acções e que nos trava delas. um limite tão novo, que ainda não sabemos. não nos sabemos ser nele.
>> sábado, 14 de junho, às 15h = impressoimproviso = muuda (porto)
>> todos os dias, das 13h às 24h = “a tela de uma história que não se acende”, exposição de fotografia de ana pereira = silo espaço cultural (norteshopping)
consignação II
[cracóvia, polónia 2008 / bolhão, porto 2008]
somos seres estranhos todos os dias. [II]
[listening: andrew bird, armchairs]
mudança
[opole, polónia, abril 2008]
é a terceira vez que escrevo isto no diário-de-sombras. que estou em fase de mudança. de vida, de trabalho, até de óculos e, com jeitinho, quem sabe de sexo… é a terceira vez que cito a minha avó, que a cada mudança me repete em tom esperançoso e de olho brilhante o seu “quem-muda-deus-ajuda”… é a terceira vez que, assumindo não acreditar em deus, digo que gosto muito de acreditar nela.
[listening: cat power - new york, jukebox ]
o porto escuro…
estrangeiros para sempre
[katowice - polónia, abril 2008]
… diziam-me ontem: “sinto-me um pouco vazia. neste momento estou deitada no parapeito da minha janela a acordar com hong kong pela última vez. está muito nevoado e quase não se vêem as torres mais altas. mas elas estão lá, e vão ficar… eu é que sou mais um visitante a ir embora”.
não será sempre assim… em tudo?
>> para ver: paulo pimenta
sleeping-fucking-beauty*
love is all a matter of timing. it’s no good meeting the right person too soon or too late. if I’d live in another time or place… …my story might have had a very different ending.
in “2046″, wong kar wai [2004]
>> tenho de ir ver “my blueberry nights“.
[listening: yumeji's theme - in the mood for love OST]
no comments!
[opole, polónia, abril 2008]
… graças às fantásticas ferramentas virtuais da i-subtil, descobri um blog duma pirralha qualquer que é um plágio do meu. parte do diário-de-sombras está lá. já notifiquei o respectivo servidor. confesso que me incomodou. muito!
excesso de informação II
[maus hábitos, abril 2008]
não gosto do olhar cúmplice dos fumadores que se cruzam comigo nas escadas durante a tarde de trabalho, apenas porque me vêem com um maço de cigarros na mão.
[cracóvia, abril 2008]
não gosto que me impinjam livros nos correios, máquinas de café nos bancos, batatas-fritas-em-promoção nas bombas de gasolina, viagens nas companhias de seguros e a tv-cabo-vezes-sem-fim por telefone.
consignação
one-day-stand
há sempre um dia em que tropeçamos em alguém. alguém que fala com o coração e o sente na ponta dos dedos. que não precisa de capas, que isso é coisa de super-heróis ou de maus-da-fita. que usa apenas óculos de sol. para colorir os dias. ou para filtrar a falta de cor. a cor que sabe e que sente. que reflecte a luz branca e a transforma. como os nossos olhos fazem com as palavras ditas. alguém que nos fala sem dizer. em silêncio. que viaja connosco até ao outro lado do mundo, de malas feitas. ou sem elas, num sonho sonhado a dois. com uma fotografia na parede para lembrar. e uma música na ponta da língua para adormecer. alguém que nos toma e nos tem. na plenitude de um espaço sem tempo ou sobre um lençol que não existe debaixo das estrelas. e nos protege, em troca de uma carícia. alguém que ama como nós, sentido e sincero, sempre dado, sem ego e sem medo, na efemeridade de tudo o que existe. alguém que pode ser só um ou muitos. sempre alguém, nem que seja por um dia.
[listening: good friday - cocorosie]
telegraficamente…
… em contra-tempo. sempre o tempo, que não me chega! mas a vida parece querer começar a mudar e, com os ares do verão à mistura, os dias são alegres. entretanto, o meu computador perdeu a cabeça e com ela a memória e as fotografias acumulam-se em fila de espera no novo super-hiper-mega-disco. o impressoimproviso correu bem e os registos da parede dos maus hábitos estarão aí em breve. assim como os de sábado, que ainda vem, no bolhão, onde a recém-criada associação à qual pertenço vai fazer uma intervenção, roubando um pedaço de céu para lá colocar uma nuvem-voadora-de-balões-brancos… ainda que eu não tenha uma posição radical nesta questão: o bolhão é actualmente um espaço em decadência que não oferece dignidade às pessoas que o utilizam, reclamando uma mudança necessária… mas não p.f. para mais um centro comercial! nos entretantos deste tempo-com-tão-pouco-tempo, uma sugestão: a extensão no norte do festival indielisboa, no velho cinema trindade, a começar já hoje.
[listening: the kills, midnight bloom - "tape song"]
… no dia da revolução
[sexta-feira, dia 25 de abril, a partir das 22h, o IMPRESSOIMPROVISO vai estar nos maushábitos]
máquina fotográfica, computador, impressora, cola, papéis, tesouras e mãos. com, através e para as pessoas, o objectivo deste improviso é manipular imagens impressas e construir um mural. uma parede de gentes, de objectos e de momentos presentes. um manifesto sobre o tempo…
… o nosso tempo. um tempo de abundância, de velocidade, de eficácia. de consumo imediato, descartável e com prazo de validade. um tempo com pressa… sem-muito-tempo. um tempo para ter… telemóvel, laptop, ipod. muitos cds, muitos livros. carro, casa e roupa lavada. consumo, consumo, consumo. d-i-n-h-e-i-r-o… sem ele, o tempo não vale muito. um tempo para saber tudo. ideias diversas e saberes fragmentados, algo dispersos e por vezes contraditórios. conjuntos de momentos impressos em padrão mosaico. um tempo para reter pouco. na massa cinzenta colectiva, orgânica…ou não. se saiu mal, apaga-se, se ficou bem, arquiva-se. na memória, no cartão… um tempo para respigar, reciclar, reutilizar. porque a autenticidade está em vias de extinção, mas a criatividade não. um tempo que pede por uma nova revolução! um tempo para ser… um genoma de bites, uma matriz de sentimentos, uma tabela de experiências, uma relação de culturas, um molde de raças, um protótipo de fé. e sempre o link para outra coisa qualquer… um tempo de verdade? na verdade… não interessa. não há tempo! a vida é um improviso.
ana pereira [imagem], geovane freitas [manipulação], joão albino [manipulação], mafalda martins [texto]
excesso de informação
não conseguiria viajar sem uma máquina fotográfica. acho que nem sei o que isso é. mas fico sempre frustrada com as limitações: minhas e do objecto. nunca nenhuma cidade, nenhuma luz, nenhum karma me cabe dentro da lente. registo momentos, muitos deles únicos, mas nunca o todo. esse só o sinto. depois de ver, cheirar, ouvir, calcorrear. de me perder na tradução e no excesso de informação. visual e não só. nas pessoas, nas estórias, nas palavras.
o que fica no final? de praga [praha], fia aquele universo sinistro, medieval, escuro mesmo nos dias de sol. um cenário kafkiano, até porque o senhor é de lá, que percorro a cavalo ou dentro de um vestido comprido arrastado por cada nova esquina, sempre mais bonita e ostensiva que a anterior. fica o feeling parisiense, a aventura romântica que ali terei vivido noutro século. da polónia [polska], ficam as pessoas. as que conheci em opole, vindas de todos os lados da europa. a magosha-que-me-soa-a-margarida-em-português que viajava na mesma cabine do comboio e que falou sobre os polacos, conservadores e católicos, sobre preconceito, drogas, sexo e outros assuntos-ali-tabu, sobre a polícia-sempre-de-intervenção e o serviço-militar-obrigatório-para-todos, sobre os 150 km de auto-estrada do país e os supermercados portugueses, sobres as minas e as gentes rudes de katovice [katowic], sobre a avó que sobreviveu a um campo de concentração e os alemães-que-não-queriam-de-ser-nazis.
desta viagem fica a vodka e o excesso dela. fica a iraniana e os polacos bonitos das noites de cracóvia [krácow], mas maus de ouvido e de anca, que nos tornavam, aos latinos, em reis-da-pista-de-dança. fica a dureza da língua com os chhhs, zbrs e skys, que se vai tornando apetecível, embora não seja capaz de pronunciar três consoantes seguidas. o prato típico de pierogi, algo entre o ravioli e o rissol cozido. ficam as cem-cúpulas-de-praga e o dragão-de-wawel-de-cracóvia e os seus rios vltava e vistula. ficam, intactos, os testemunhos monumentais dos tempos da bohemia central e do império austro-hungaro. e os ícones da invasão soviética e do nazismo, a propaganda transformada em turismo. fica a música clássica nas igrejas, paredes-meias com o jazz nos clubes de esquina. fica a mesma vontade do final de cada viagem: continuar.
não conseguiria viajar sem uma máquina fotográfica. acho que nem sei o que isso é. mas fico sempre frustrada com as limitações: minhas e do objecto. nunca nenhuma cidade, nenhuma luz, nenhum karma me cabe dentro da lente. registo momentos, muitos deles únicos, mas nunca o todo. esse só o sinto. depois de ver, cheirar, ouvir, calcorrear. de me perder na tradução e no excesso de informação. visual e não só. nas pessoas, nas estórias, nas palavras.
o que fica no final? de praga [praha], fia aquele universo sinistro, medieval, escuro mesmo nos dias de sol. um cenário kafkiano, até porque o senhor é de lá, que percorro a cavalo ou dentro de um vestido comprido arrastado por cada nova esquina, sempre mais bonita e ostensiva que a anterior. fica o feeling parisiense, a aventura romântica que ali terei vivido noutro século. da polónia [polska], ficam as pessoas. as que conheci em opole, vindas de todos os lados da europa. a magosha-que-me-soa-a-margarida-em-português que viajava na mesma cabine do comboio e que falou sobre os polacos, conservadores e católicos, sobre preconceito, drogas, sexo e outros assuntos-ali-tabu, sobre a polícia-sempre-de-intervenção e o serviço-militar-obrigatório-para-todos, sobre os 150 km de auto-estrada do país e os supermercados portugueses, sobres as minas e as gentes rudes de katovice [katowic], sobre a avó que sobreviveu a um campo de concentração e os alemães-que-não-queriam-de-ser-nazis.
desta viagem fica a vodka e o excesso dela. fica a iraniana e os polacos bonitos das noites de cracóvia [krácow], mas maus de ouvido e de anca, que nos tornavam, aos latinos, em reis-da-pista-de-dança. fica a dureza da língua com os chhhs, zbrs e skys, que se vai tornando apetecível, embora não seja capaz de pronunciar três consoantes seguidas. o prato típico de pierogi, algo entre o ravioli e o rissol cozido. ficam as cem-cúpulas-de-praga e o dragão-de-wawel-de-cracóvia e os seus rios vltava e vistula. ficam, intactos, os testemunhos monumentais dos tempos da bohemia central e do império austro-hungaro. e os ícones da invasão soviética e do nazismo, a propaganda transformada em turismo. fica a música clássica nas igrejas, paredes-meias com o jazz nos clubes de esquina. fica a mesma vontade do final de cada viagem: continuar.
i’m a victim of this song
são tantas as imagens e tão pouco o meu tempo, que para já o registo possível é este: praga vista sob uma melodia encantada, dentro de um vestido de princesa, num conjunto de momentos soltos sobre um fundo branco, por enquanto à espera da lógica das palavras…
[this-movie-soundtrack: pipilotti rist, wicked game]
de facto…
primavera em praga
praga - opole - cracóvia… até já!
entretanto:
>> a subtil sugere um filme interessante
>> o tato tem um blog de fotografias bonitas
>> o cebolinha ganhou um prémio com o livro da avó
sentido obrigatório
já lá vão uns anos. estava a fazer uma reportagem sobre manipulação genética na forum ambiente, a revista em que trabalhava na altura, quando uma colega, a sofia, me contou a história, que acabei por utilizar na introdução do texto, do famoso “42”. ela estava a ler um livro, que contava a super-cruzada de um grupo alienígena de seres super-inteligentes, que haviam construído um super-computador. o “pensador profundo”, assim foi baptizada a super-máquina, que tinha por missão obter a resposta à pergunta fundamental sobre o universo: “qual é o sentido da vida?” sete milhões e meio de anos de processamento depois, o computador vomitou uma resposta: “42”.
mas podemos ir mais longe. fox mulder, na série dos X-files que explorava a teoria da conspiração, morava no apartamento 42; o diabólico número 666, se decomposto em 6 x 6 + 6, resulta em 42, que é também número original de deuses da mitologia grega; a cidade de jerusalém tem uma área de 42 milhas quadradas, enquanto que a faixa de gaza tem uma extensão de 42 quilómetros; no livro do país das maravilhas, alice é impedida de entrar no tribunal para não cumprir a lei que proibe o acesso a pessoas gigantes, que é a lei número 42; geralmente as pessoas começam a notar que estão velhas a partir dos 42 anos. eeeeee, claro!, todos estes factos foram comprovados 42 vezes. comecem a olhar para os lados, pois vai lá estar um 42… e antes isso do que um 31!
= 42
eu, que nunca fui capaz de perceber a musicalidade da matemática, dei por mim a fazer contas. que nem aquele computador supremo sobre o qual já escrevi um dia… o mesmo que, noves-fora-nada, conclui que a reposta para o sentido da vida é objectiva, concisa e única: “42″. pus-me a contar pelos dedos: de quantas figuras gostamos?; quem são os nossos amigos?; quantas pessoas temos? contas feitas à vida, somei umas quantas figuras. não que o interesse se ache no algarismo. talvez na diversidade. por certo no bem-querer. gosto de um número grande de pessoas. gosto das pessoas. com muitas me encontro. em todas me descubro. numa casualidade quase desconcertante. não sei o que me reserva o meu 42. vou sabendo quem são as minhas pessoas.
[listening:kumpania algazarra... que é como dizer kusturica-em-português e que ao vivo é divertido]
para saber melhor
para ver melhor
dolce farniente
dar à língua
estou um pouco confusa
nunca eu pensei, quando neste carnaval me fantasiei de ricardo-pereira-araújo-a-fazer-de-floribela, que fosse ter tantas razões para continuar a dizer-que-estou-um-pouco-confusa…
[listening: portishead, "third"]
salta-pocinhas
apercebo-me só agora que nunca para mim fará sentido a vida se não houver um muro para saltar, um drama para resolver, uma pocinha para escorregar…
… e estou viciada nesta música: go tell the women / grinderman.
no meu quintal…
… há um gato que não deve ser feliz. vive aqui atrás, num pedaço de telhado, do qual não consegue sair. deve ter caído, em mais-pequeno, porque lhe vejo a mãe escura por perto. também eu estou aqui e à noitinha deito-lhe comida pela janela. creio que os vizinhos da varanda-que-dá-pró-pedaço-de-telhado também o fazem, na noite deles. o bicho, na sua alma negra, mia de volta em sinal de apreço. sempre preto e preso. mas só até ao dia em que aprender a saltar.
[listening: tarantino/death proof soundtrack]
o mestre
no fim-de-semana revi este filme na tv. uma homenagem a um clássico do cinema. fotografei. mais tarde encontrei este trabalho. uma homenagem ao mestre, em fotografia.
há sol na rua*
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| há sol na rua. gosto do sol mas não gosto da rua então fico em casa. à espera que o mundo venha, com as suas torres douradas e as suas cascatas brancas, com suas vozes de lágrimas e as canções das pessoas que são alegres. ou que são pagas para cantar! e à noite chega um momento em que a rua se transforma noutra coisa e desaparece sob a plumagem. da noite cheia talvez e dos sonhos dos que estão mortos. então saio para a rua. ela estende-se até à madrugada um fumo espraia-se muito perto e eu ando no meio da água seca, da água áspera da noite fresca. o sol voltará em breve. * boris vian, je voudrais pas crever |
problema de expressão
a vida é bela
chegar a casa:
- encontrar um lugar-quase-legal (não fosse o parquímetro… ou será parcómetro?);
- ranger os dentes ao arrumador que insiste em pedir “moedinha” várias a vezes ao dia sem perceber que o alvo é sempre o mesmo;
- cumprimentar o guarda-nocturno do quarteirão que, no cenário das casas escuras da baixa iluminada a amarelo, remete para londres há 50 anos atrás, ainda que sem o estripador… ou não;
- dar um cigarro ao segundo junkie que reconhece a vizinhança e diz boa-noite;
- abrir a porta e apanhar um susto-de-morte com os dois adolescentes do bairro mais próximo enrolados-em-beijos nas escadas;
- sentir o cheiro bom dos cozinhados do vizinho brasileiro do terceiro andar;
- abrir a porta, trancar e relaxar.
sair de casa:
- abrir a porta, trancar e apanhar o elevador-íntimo-assim-baptizado-pelo-valter;
- esperar os segundos-da-praxe para que a porta se abra, esperando não ser hoje o dia-não das avarias, pois o telemóvel está sem saldo;
- seguir para o carro, fazer figas para que esteja lá, sem mossa ou estrago e, já agora, sem multa, pois já passa das 9;
- abrir o iogurte-líquido-de-kiwi e beber;
- sorrir-em-amarelos para o polícia municipal que está com cara de ainda não ter começado a caçada;
- dizer bom-dia ao rapaz giro das chaves, à senhora-sempre-à-porta-da-mercearia e ao vizinho da loja de ferragens;
- entrar no carro, ligar o rádio e seguir.
[listening: the kills, midnight boom]
… porquê?
porque raios é tão difícil sair da idade dos porquês?
soledade explica…
sonhei que fugia. aflita, apavorada. de mãos cerradas, não fosse perder os filhos. sim, os filhos. que eram, na verdade, da terra mais do que meus. fugia com as mãos fechadas não fosse deixar cair as sementes. esses filhos que escondia nas mãos. os embriões-em-forma-de-pevide que, uma vez espetados na terra castanha fértil, cresceriam que nem um pé-de-feijão, mas em forma de corpo humano, de gente, com pernas e braços e olhos e coração. corria estrada fora em velocidade arrastada. fugia de quem me iria fazer mal. de quem me abriria as mãos à força e me levaria para sempre os filhos. que, uma vez plantados, cresceriam saudáveis. longe, sem nunca conhecer a mãe.
[listening: radiohead, in rainbows]
os pós-modernos
a crise
manual de instruções para conclusões banais
1. precisar de ideias, mais do que de factos e por vezes de pessoas;
2. constatar o óbvio, pois o essencial nem sempre está ali à mão;
3. ter muitas certezas-quase-absolutas, não vá ser a incoerência ser a chave do equilíbrio;
4. acreditar no impossível, porque a fé está fora de moda;
5. não-se-saber-por-onde-se-vai… mas-saber-que-não-se-vai-por-aí;
6. arriscar o pretensiosismo de responder às perguntas-mãe do universo;
7. ser dramático e, com jeitinho, teatral:
8. ter visto muitos episódios do espaço 1999.
[listening: goldfrapp, seventh tree]














































































































