cartas de amor

gosto de ti gosto de olhar o céu nos teus olhos e de ler nos teus gestos que gostas de mim. gosto de saber que somos feitos da mesma matéria cósmica e de olhar as mesmas estrelas que tu. gosto de nos imaginar a caminhar para o mesmo norte. gosto de te conhecer desde sempre e de te sentir perto onde quer que esteja. gosto dos teus (a)braços. de te imaginar a entrar pela porta… gosto de me adiantar nos teus pensamentos, de me perder nas tuas palavras. de te precipitar os verbos. gosto da tua música. gosto de te ouvir. gosto que me adivinhes. que me roubes as vontades. gosto que me sonhes. de me ver ao teu lado. gosto do teu e do meu querer. gosto de ti. 2011

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one-day-stand há sempre um dia em que tropeçamos em alguém. alguém que fala com o coração e o sente na ponta dos dedos. que não precisa de capas, que isso é coisa de super-heróis ou de maus-da-fita. que usa apenas óculos de sol. para colorir os dias. ou para filtrar a falta de cor. a cor que sabe e que sente. que reflecte a luz branca e a transforma. como os nossos olhos fazem com as palavras ditas. alguém que nos fala sem dizer. em silêncio. que viaja connosco até ao outro lado do mundo, de malas feitas. ou sem elas, num sonho sonhado a dois. com uma fotografia na parede para lembrar. e uma música na ponta da língua para adormecer. alguém que nos toma e nos tem. na plenitude de um espaço sem tempo ou sobre um lençol que não existe debaixo das estrelas. e nos protege, em troca de uma carícia. alguém que ama como nós, sentido e sincero, sempre dado, sem ego e sem medo, na efemeridade de tudo o que existe. alguém que pode ser só um ou muitos. sempre alguém, nem que seja por um dia. 2008

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salteadores tinham a cumplicidade de um beijo. um único intenso e ávido trocar de ardores. um delicado, mas forte, toque de lábios e língua que fazia sobrepor a vontade a qualquer razão. era tudo o que o que partilhavam. esse instante. que tinha tanto de breve como de infinito desejo. 2010

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não sei gostava de escrever poemas, mas não sei. gostava de transformar os olhos em palavras. de materializar as sensações. de fazer uma ligação directa entre a parte-desconhecida-do-cérebro e a boca. gostava de contar histórias. de saber a sabedoria, de acreditar na crença e de traduzir tudo isso com as mãos. gostava de dizer muita coisa a muita gente. de abrir uma auto-estrada entre o coração e o mundo e de o reflectir nos olhos. gostava de poder dizer que gosto de ti. de todos os tis… mas não digo. gostava de te escrever uma coisa bonita, mas não escrevo. não sei. 2010

 
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