All posts by mafalda martins

. penso . vejo . registo . escrevo . viajo . ouço . questiono . partilho . guardo . leio . sinto . comunico . digo . tento . critico . fotografo . erro . experimento .

manual de instruções para conclusões banais

1. precisar de ideias, mais do que de factos e por vezes de pessoas;
2. constatar o óbvio, pois o essencial nem sempre está ali à mão;
3. ter muitas certezas-quase-absolutas, não vá ser a incoerência a chave do equilíbrio;
4. acreditar no impossível, porque a fé está fora de moda;
5. não-se-saber-por-onde-se-vai… mas-saber-que-não-se-vai-por-aí;
6. arriscar o pretensiosismo de responder às perguntas-mãe do universo;
7. ser dramático e, com jeitinho, teatral;
8. ter visto muitos episódios do espaço 1999.. . . . .+ conclusões banais
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everybody wants to go to japan*

“Welcome to Japan! Presente your alien card”… esta ideia de estrangeiro mantem-se durante toda a viagem: “Só percebemos que não percebemos nada”, diz João Bénard da Costa em 15 Dias no Japão, um relato de uma viagem feita em 1979, revisto em 2001, e que mantém hoje uma perfeita actualidade. Ler mais…

breve descrição de nada

antiga avenida descendente de jardins históricos outrora sumptuosos parcialmente destruída e ladeada de estatuária branca profanada com graffittis e tapada por silveiras com amoras em perfeita esquadria com um comprido lago central vedado por um muro de pedra coberto por uma malha de minúsculas flores silvestres vermelhas em forma de lágrima onde as primeiras chuvas se acumulam sobre as ancestrais águas verdes paradas nas quais se adivinha um céu de nuvens alvas desenhadas pela soberba mancha de luz clara e temperada de um pôr-do sol de outono que se desfaz sobre o espelho de água em finos raios ondulados incapazes de serem olhados sem timidez ao longo de um breve e frágil percurso luminoso que não leva a lugar algum. 2009

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a-floresta-de-lado-nenhum

Era uma vez…

À noite, o João sonhava sempre o mesmo sonho. Os elefantes amarelos que bebem de um lago mágico, sonham que têm asas e descobrem a porta para o céu azul. Mas não havia meio de lá entrar, acordava sempre antes de lá conseguir chegar… +

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impresso-improviso

quem sou eu, espelho meu… sou o curioso que passa, o turista da sé, o morador da rua escura, a peixeira do mercado; sou pintor, esteticista, empreiteiro, informático, estudante, jovem artista. sou o pessoal operário à saída da fábrica confiança. nasci aqui ou sou de cá. português, angolano, indiano, lituano, brasileiro, chinês ou cigano. sou um de 27 mil entre os 220 mil e tal. Ler mais…

a receita da beleza

sleeping_beauty2

o engelhar da cara. a aceitação do presente. o consentimento do tempo. a imunidade emocional. o entorpecer dos músculos. a sabedoria dos enganos. a interiorização do limite. a afinação dos sentidos. o falir da memória. o polimento dos princípios. a suavização dos preconceitos. a focalização da energia. o amolecer do corpo. o avigoramento das lutas. a assertividade das palavras. a aceitação da perda. o fintar do cansaço. a eleição do sentimento. a reciclagem da frustração. a superação do vinagre. o diminuir do passo. a relativização dos sonhos. a consciência da opção. a permanência da calma. 2010

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42

quando a noite chega todos os dias o livro estava desamparado no centro da mesa de madeira. a luz ténue que teimava em trespassar a cortina reflectia o branco da capa. ela atravessava a sala vezes sem conta. para-lá-e-para-cá. os tacões dos sapatos não muito altos interrompiam as melodias simples que soavam na rádio e impunham-se apressados. como quem procura aquilo que nunca vai encontrar. talvez não existisse… por vezes, o livro, daqueles de letra pequenina, percorria-se nas suas páginas. nos dias em que o vento azulava a casa entre janelas. há muito que ela olhava o livro. mas nunca parava. para-lá-e-para-cá. sempre com pressa. talvez se corresse… um dia o livro estava no chão. algo que tombara-em-cadeia o deixara imobilizado na página 42. ela pegou no livro e leu: “hoje nunca é o dia de amanhã”. olhou a janela e reparou que o sol se tinha posto. talvez o tempo parasse… quando voltou a abrir o livro para reter na memória a mensagem, as páginas estavam lisas e as palavras haviam caído em monte no chão. 2009

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violentamente bom

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a vida é demasiado curta para andar metida no bolso. para ficar contida no riso ou no choro, no grito ou no palavrão. demasiado breve para se perder nas hipóteses. para não ser experimentada ao pormenor. a vida é demasiado efémera para ficar dobrada na gaveta. para ser gasta em contemplação. Ler mais…