viva méxico

Foram três semanas, de mochila às costas, ao longo de cerca de 3000 quilómetros de Estados Unidos Mexicanos, pelas Caraíbas, montanhas chiapanecas, Pacífico e uma das maiores metrópoles do mundo. E agora está aqui, no Viaje Comigo, o relato das experiências de dois portugueses. Mafalda Martins e Sérgio Correia foram os mochileiros de serviço no verão de 2013. Por Susana Ribeiro

Como foi o percurso da vossa viagem?  Foi aterrar e fugir de Cancun, experimentar o tudo-incluído e mojitos-à-discrição em Playa del Carmen, e depois seguir sem compromisso descobrindo as terras e as gentes de Tulum, Mahahual, Bacalar, Palenque, San Cristóbal de Las Casas, Chiapa de Corzo, Oaxaca, Monte Alban, Mazunte, Cidade do México e Teotihuacan. É um país de contrastes absolutos, nas paisagens e nas distâncias, nas civilizações antigas versus herança colonial, na incontrolável natureza do dá-e-tira, na governação repartida entre estados e cartéis, nas diferenças sociais e culturais de um povo que são muitos.

Que hotéis sugerem? Nacional Beach Club em Mahaual: um quarto ou cabana em frente ao paraíso, numa construção costeira típica, preço acessível, acolhimento familiar e vizinhança agradável, com o segundo maior recife de coral do mundo para descobrir e uma onda tranquila e pacífica para usufruir. O Hotel Jovel em San Cristóbal de Las Casas: um bonito edifício colonial, com o tradicional pátio e frondoso jardim interior, bem no centro da cidade, com conforto e preço acessível, perfeito ponto de partida para conhecer esta singular capital do Chiapas.

Locais de diversão/convívio: bares, cafés, discotecas, etc…. Os bares e cabanas na praia, seja no mar do Caribe ou no Pacífico, com bandas ao vivo, música gravada ou mesmo só com o barulho do mar: é passar, espreitar e entrar. Na Cidade do México, nos bairros cool de Roma e Condesa, há vários cafés, bares e restaurantes que convidam à primeira, com comida, ambiente e música que agrada! A terraza do Hotel Condesa DF é top!

O que comer? Sugestão de restaurantes? Provar tudo, assumindo o risco da dor de barriga: toda-a-fruta-tropical-e-sumos, nachos, tortillas, tacos, quesadillas, frijoles, moles e salsas, tequila e mezcal. Guacamole (em todo o lado!), polo com mole negro (restaurante do Centro Cultural Tierra Adentro em San Cristóbal de Las Casas), tlayudas de queso oaxaqueño (Mercado Municipal de Oaxaca) e hongos huitlacoche – cogumelos raros da flor do milho (Villa Maria na Cidade do México)! O milho, por exemplo nos tamales, à base de farinha, pode tornar-se enjoativo; é a planta sagrada dos Maias e das culturas antigas e está presente em todos os pratos da gastronomia típica, sem excepção. Para quem tiver coragem: chapulines picanes (gafanhotos) e nopales grelhados ou estufados (cactos).

Sente-se alguma insegurança? Que zonas devemos evitar? Ela existe, mas contorna-se: se se estiver informado e se evitar a exposição demasiada, em praias isoladas, terras de estrada ou horas tardias, e certas áreas menos aconselháveis, como toda a zona norte do país e o deserto, alguns pontos do Pacífico e do Golfo do México, que estão na mão dos cartéis do narcotráfico.

Locais ou monumentos, fora dos roteiros principais, que temos mesmo de visitar? Fora dos roteiros: a calma e lindíssima povoação de Mahahual; os sete tons de azul da belíssima lagoa de Bacalar e os cenotes ou grandes poços de água clara e fresca da região; as altas montanhas e seu café, cacau, mezcal e artesanato das culturas zapatistas. Mas muitos dos locais dos roteiros principais não se podem deixar passar: as ruínas Maias ou Aztecas de Tulum, Palenque, Monte Alban ou Teotihuacan, o Cañón del Sumidero, as zonas antigas versus as super-modernas do Distrito Federal…

Qual a melhor forma de viajar pelo país; pelas cidades? Há viagens de avião low cost interessantes, mas o sistema online não funciona na perfeição e nem todas as companhias permitem cartões de crédito europeus.  É possível alugar veículos, mas apenas em percursos redondos, pois têm de ser entregues nos locais de recolha. O autocarro pode ser uma opção, segura e não dispendiosa, mas sempre que possível em companhias delux e em primeira classe, porque os percursos, mesmo curtos, são sempre muito demorados. Muitas vezes, as vans (carrinhas) ou os colectivos (táxis ou carrinhas) são mesmo a única opção. Uma nota essencial: antes de ir, depois de ir ou mesmo que não se chegue a ir, um livro: Viva México, de Alexandra Lucas Coelho, uma forma consciente e abrangente de conhecer o país real.