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42

quando a noite chega todos os dias o livro estava desamparado no centro da mesa de madeira. a luz ténue que teimava em trespassar a cortina reflectia o branco da capa. ela atravessava a sala vezes sem conta. para-lá-e-para-cá. os tacões dos sapatos não muito altos interrompiam as melodias simples que soavam na rádio e impunham-se apressados. como quem procura aquilo que nunca vai encontrar. talvez não existisse… por vezes, o livro, daqueles de letra pequenina, percorria-se nas suas páginas. nos dias em que o vento azulava a casa entre janelas. há muito que ela olhava o livro. mas nunca parava. para-lá-e-para-cá. sempre com pressa. talvez se corresse… um dia o livro estava no chão. algo que tombara-em-cadeia o deixara imobilizado na página 42. ela pegou no livro e leu: “hoje nunca é o dia de amanhã”. olhou a janela e reparou que o sol se tinha posto. talvez o tempo parasse… quando voltou a abrir o livro para reter na memória a mensagem, as páginas estavam lisas e as palavras haviam caído em monte no chão. 2009

+ conclusões banais

 

 

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