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everybody wants to go to japan*

“Welcome to Japan! Presente your alien card”… esta ideia de estrangeiro mantem-se durante toda a viagem: “Só percebemos que não percebemos nada”, diz João Bénard da Costa em 15 Dias no Japão, um relato de uma viagem feita em 1979, revisto em 2001, e que mantém hoje uma perfeita actualidade. Ler mais…

férias

pontedesor2

uma astronauta, uma vaqueira e uma varina. uma casa sem telhado para se verem as estrelas mais brilhantes. um monte sobre as terras altas do alentejo. um piano admiravelmente triste e uma melancia alcoólica. e mais uma piscina com muitas gentes. e um pedaço de rio sem absolutamente ninguém. uma cegonha e uma águia no céu, um presumido javali e uma cobra imaginária. o pereira e a dona belita e a mulher do presidente da junta. um teatro que não se chega a entrar e uma actriz que se gosta de conhecer. azinheiras e sobreiros, pão e vinho. uma mesa requintada para motivar a partilha. a imaginação livre e sempre a esperança. uma fotografia dos anos setenta com três rockers destruídos. barrigas cheia de mimo e risadas altas. uma lágrima descontinuada para lembrar que a existência é real. 2009

+ conclusões banais

 

dôblin vs puarto

 

em inglês diz-se dublin, em irlandês baile átha cliath e em gaélico duibhlinn. quer dizer “piscina negra” e refere-se a uma baía. dublin localiza-se na foz do rio liffey e é a capital e maior cidade da república da irlanda. tem cerca de 500 mil habitantes no centro da cidade e 1,6 milhões no total. foi fundada pelos vikings. é a cidade de homens-das-letras como bernard shaw, bram stoker, oscar wilde, yeats, beckett ou james joyce, o autor de “ulisses”, que dedicou à cidade o seu “the dubliners”. é a cidade pop dos anos 90, dos U2, bob geldof ou sinead o’connor. Ler mais…

excesso de informação

Não conseguiria viajar sem uma máquina fotográfica. Acho que nem sei o que isso é. Mas fico sempre frustrada com as limitações: minhas e do objecto. Nunca nenhuma cidade, nenhuma luz, nenhum karma me cabe dentro da lente. Registo momentos, muitos deles únicos, mas nunca o todo. Esse só o sinto. Depois de ver, cheirar, ouvir, calcorrear. De me perder na tradução e no excesso de informação. Visual e não só. Nas pessoas, nas estórias, nas palavras.

O que fica no final? De Praga [Praha], um universo medieval, escuro mesmo nos dias de sol. Um cenário kafkiano, até porque o senhor é de lá, que nos vemos percorrer a cavalo ou num vestido comprido e arrastado por cada esquina, sempre mais bonita e ostensiva que a anterior. Fica o feeling parisiense, a aventura romântica que ali teremos vivido noutro século. Da polónia [Polska], ficam as pessoas. As de Opole, vindas de todos os lados da Europa. A Magosha-que-soa-a-Margarida-em-português, companheira de cabine do comboio, que falou sobre os polacos, conservadores e católicos, sobre preconceito, drogas, sexo e outros assuntos-ali-tabu, sobre a polícia-sempre-de-intervenção e o serviço-militar-obrigatório-para-todos, sobre os 150 km de auto-estrada do país e os supermercados portugueses, sobres as minas e as gentes rudes de Katovice [Katowic], sobre a avó que sobreviveu a um campo de concentração e os alemães-que-não-queriam-de-ser-nazis.

Desta viagem fica a vodka e o excesso dela. Fica a iraniana e os polacos bonitos das noites de Cracóvia [Krácow], maus de ouvido e de anca, que nos tornam, aos latinos, em reis-da-pista-de-dança. Fica a dureza da língua com os chhhs, zbrs e skys, que se vai tornando apetecível, embora sempre impossível quando surgem três consoantes seguidas. O prato típico de pierogi, algo entre o ravioli e o rissol cozido. As cem-cúpulas-de-Praga e o dragão-de-Wawel-de-Cracóvia e os seus rios Vltava e Vistula. Ficam, intactos, os testemunhos monumentais dos tempos da Bohemia central e do império austro-húngaro. e os ícones da invasão soviética e os campos mórbidos dos nazis, a propaganda transformada em turismo. Fica a música clássica nas igrejas, paredes-meias com o jazz nos clubes de esquina. Fica a mesma vontade do final de cada viagem: continuar.

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