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projecto Links | Hugo Olim +

evento exposição de fotografia
local/data Lab 65, Porto, 2006
 

“nada acontece por acaso” disse-lhe naquela noite. e saiu… a frase ia e voltava.  seria tão mais fácil se tudo acontecesse por uma razão. se identificássemos o fio condutor da vida e nos bastasse segui-lo…mas o mundo não gira assim. o acaso bate a lógica aos pontos. e mais a ciência e o destino e a filosofia e a fé… é penoso admitir que nunca seremos capazes de assimilar a ideia de infinito: o mundo não está dentro de coisa nenhuma! …anda apenas a rodar por aí. entretanto a vida acontece. e os caminhos cruzam-se. ou não… deve ser do movimento de rotação! é tão inacreditável como numa mesma comunidade – restrita, porque o é sempre, a nossa aldeia global – nos cruzamos com tanta gente, enquanto caminhamos a par de outros que nunca conheceremos. nisto a frase volta.  pensa no que os une e no que os mantém separados… e olha o mundo em redor. em formato panorâmico. vê todos os que o acompanham lado-a-lado, os que vão chegando, os que vão embora, os que se cruzam, os que nunca conhecerá. os pais, os amigos, os amores. os seres! os seres-que-existem e os seres-platónicos. e conclui que é um bocadinho de muita gente. tanta gente! com quem está, com quem poderia estar e com quem nunca estará. poderia conjugar o verbo em todas as pessoas e tempos: foi as histórias passadas, é intensamente as presentes e será as futuras. seja nos caminhos cruzados, nos mundos sonhados, nas estórias reais, nas verdades relativas, nos caminhos paralelos. somos a energia que resulta desta orgia. somos o desenho que nasce do choque-ou-não destas linhas de alta tensão. somos uma árvore genealógica de afinidades. somos um ciber-genoma. somos nós-e-toda-a-gente num mesmo tempo.  … e o nada-acontece-por-acaso ganha uma nova dimensão. talvez por isso o homem seja assim. um ser descontentamente contente, de mãos dadas com um destino-que-não-existe e que vai traçando a cada dia.

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HOJE PARTI UM ESPELHO

projecto Alice | Rute Carvalho +

evento festival E Se Esta Rua Fosse Minha
local/data Porto, Outubro 2009
 
hoje parti um espelho. um desafio à sorte, que me permite passar para o outro lado. ouso olhar para mim e encontro-me na rua da abundância. da velocidade imposta, da dependência absoluta, dos saberes dispersos, das armas disparadas, da natureza desprezada, das leis duvidosas… se esta rua fosse minha, regava todos os dias o meu jardim! usava o ar parar respirar e viajar, o mar para mergulhar e pescar, o outro para amar, o trabalho para actuar. porque somos todos iguais na efemeridade. porque prisão maior é a da ignorância e da indiferença. porque se a originalidade pode estar em vias de extinção, a criatividade não. desisto então de desvendar o mundo, para apenas me localizar nele. olho ao espelho e estico o dedo: estou aqui.