queima do judas

colaboração na dramaturgia + assessoria de imprensa e gestão das redes sociais.

 

fotografias de Margarida Ribeiro

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Um novo advérbio, helenamente. As palavras de Ruy Belo que dizem a maneira mais triste de se estar contente, sozinhos entre a gente. É assim Helena, a Primavera da história. Vive firme na procura de seu José-o-homem-dos-sonhos, que um dia partiu dessa rua alegre que é Vila do Conde. Judas, ardiloso e machista, quer Helena para si, qual Inverno ruim. E todos leva na confusão… os cupidos e os diabretes, os artistas do circo e as mulheres do mundo, a bela Marylin e o rapaz-memória. Mas quando o cosmos se endireita, a história dá uma volta: É triste ir pela vida como quem regressa e entrar humildemente por engano pela morte dentro… – Vais morrer Judas! E o mundo viaja no tempo, para nos dar uma segunda oportunidade.

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Uma Rendilheira que queria espalhar a Primavera,
e resolveu tecer a maior renda de bilros
que alguma vez se vira na terra.

O Inverno, invejoso, mandou o seu rio amaldiçoar a história:
que da linda e longa renda nasça uma serpente,
que do mal dos outros se alimente.

Mas em momento de dificuldades,
unem-se as comunidades!
E, juntas, fazem cair a serpente!

E que se cumpre uma vez mais a tradição:
o Judas arde na fogueira sem perdão.

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Um cortejo de personalidades dirige-se para tribunal. “Não pagou!”, alega o Dr. Ambrosino, advogado do diabo, enquanto do outro lado Angelino se apresenta como seu defensor. Tudo vai a julgamento para Zé-Maria, gente do povo, acusar e defender. Só a suprema Justiça decidirá se há poesia que o possa salvar… E quem, com o Judas, deverá arder. 

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A Queima do Judas é um espetáculo de rua comunitário e multidisciplinar, que funde as linguagens do teatro de rua, do circo, da dança, da música, do vídeo ou da fotografia, integrando grupos convidados e várias entidades locais. Aposta, por um lado, em temáticas diretamente ligadas às tradições de Vila do Conde e, por outro, nas questões relacionadas com a comunidade e com o momento atual, que se apresentam num mesmo momento — o sábado que antecede o dia de Páscoa —que dura há já 10 anos na cidade.

São explorados temas tão diversos como os poetas vilacondenses Ruy Belo (2014) e José Régio (2011), a passagem pela cidade dos artistas Sonia e Robert Delaunay (2010), a grande comunidade das Caxinas (2009), os Estaleiros Navais de Vila do Conde (2015), a Rendilheira e a Comunidade Chinesa (2013), A Revolução de Abril e o Mosteiro de Santa Clara (2011), entre outros.

Organizada pela associação cultural NUVEMVOADORA, está assente na criação artística, na investigação,  na formação e na experimentação (dramatúrgica, coreográfica, musical, visual e cenográfica), no sentido de apresentar ao público  um conjunto de atividades que passam pela intervenção urbana, formação, conferências e um espetáculo comunitário de teatro  de rua multidisciplinar.

São várias as entidades e grupos que integram o evento anual da Queima do Judas. O Teatro e Marionetas de Mandrágora é uma parceria já consolidada com a NUVEMVOADORA, ao nível da cenografia e da construção do Judas, processo de concepção realizado num workshop aberto à comunidade. Da mesma forma a participação dos Boca de Cão, da Fértil Associação Cultural ou do Varazim Teatro, bem como de uma série de grupos locais, como os Bombeiros Voluntários de Vila do Conde, o Clube de Atletismo Os Rompe-Solas, o Grupo Desportivo e Cultural de Azurara, a Associação Cultural e Recreativa de Modivas, o Grupo de Teatro Amador Os Camaleões, o Ginásio Clube Vilacondense, o Círculo Católico dos Operários, entre outros. A iniciativa tem o alto patrocínio da Câmara Municipal de Vila do Conde.

No âmbito das temáticas de cada edição, realizam-se oficinas e atividades paralelas, organizadas em parceria com instituições locais, pensadas de forma a orientar os resultados para a inclusão no espetáculo final.

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direcção artística Pedro Correia | dramaturgia Pedro Correia, João Pedro Azul, Mafalda Martins | direcção técnica e desenho de som Rui Alves Leitão/Fértil Associação Cultural desenho de luz Paulo Brites | halO | cenografia e construção JUDAS Boca de Cão e Filipa Mesquita/Teatro e Marionetas de Mandrágora | figurinos e guarda-roupa Lola Sousa, Nuno Encarnação | design gráfico Mário Rui Martins | ilustração Mr. Esgar, Isabel Lhano, Filipe Larangeira, Catalina Chirila, António Pinto | fotografia Margarida Ribeiro | vídeo Paulo Pinto, Filipe Larangeira | comunicação Mafalda Martins | produção Dores Carvalho, Susana Duarte | logística Elisabete Costa, Paulo Azevedo

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