o meu sonho

vc2

outra vez. com medo e a correr. mas num cenário diferente. terrífico sem ser negro. um-mundo-no-fim-do-mundo. um dia sem amanhã, anunciado que fora numa conversa com a minha mãe. choveriam monolitos. viriam do espaço nesse último dia de um dois-mil-e-qualquer-coisa-que-há-de-vir. blocos de pedra gigantes. muitos e envoltos em bolas de fogo. e nós sabíamos. sabíamos e aceitávamos a inevitabilidade. as nossas casas iam desaparecendo. e as pessoas. sem rasto. sem ruína. ausentavam-se. não era a guerra. não era a morte. era tão somente um fim. estava frio. o vento ambicioso empoeirava a areia no ar. já não fugíamos. olhávamos o céu. desviávamo-nos dos blocos de pedra. sem esforço. sem inteligência. e pensávamos na perda. dos nossos. doía, mas não amargurava. a dada altura os monolitos eram afinal pedaços de monumentos. de uma arcada gótica, de uma muralha árabe… sempre a cair. brutais. alinhados que vinham do céu como uma forte chuva tropical. e o chão sempre a tremer. e as bolas de fogo. então deixamos de olhar. não valia a pena esperar. eu e aqueles que eu não conhecia. numa casa onde nunca estivera. éramos todos anónimos nessa altura. e sentamo-nos à mesa. inventamos um conforto. servimo-nos de uma refeição quente e enchemos os copos de vinho. num silêncio ébrio. fosse aquele o último momento e tudo estava certo. 2009

+ conclusões banais

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6 comentários

  1. ana

    gosto muito da imagem desse anjo mafalda.
    hoje ao ler o livro da annie leibovitz, percebi que um dia destes tinha sonhado que subia o monte Fuji com um grupo grande de amigos e desconhecidos e era altamente, testar os limites.
    beijo

  2. isto deve mesmo para estar aí a vir o fim do mundo: ontem sonhei que me casava! com vestidinho e tudo!

  3. E que o vinho, fosse tinto… do douro de preferência… para que esse fim anunciado, fosse mais uma festa, quem sabe de um recomeço anunciado.
    bjo

  4. margaridaribeiro

    um brinde ao fim e ao recomeço!

  5. apocalipse now!

    só não era a morte porque depois já não persistia vida, outras vidas. morrer deve ser a moka suprema. ai caramba* hoje não sei o q sonhei, mas foi bom q n me apetecia acordar, nem sair da cama. e agora dormia a sesta, ao sol. txiiiiii…isso é q era:)

  6. sirob

    ‘Não era a morte, era só morrer’

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