qual é o teu crime?

havia um muro bem alto que separava o mundo de uma caverna escura, onde se mantinha prisioneiro um grupo de homens desde sempre. acorrentados e privados de luz, as sombras dos outros homens que passavam frente à caverna eram a única coisa que alguma vez haviam visto. a alegoria de platão tem tantos séculos quantos os necessários para nos lembrar da nossa eterna condição de prisioneiros. prisioneiros do bem e do mal, das armas que disparamos, da comida que desperdiçamos, das tecnologias que inventamos. prisioneiros das leis que roubamos para enriquecer ou para comer e que infringimos para estacionar e para não pagar. prisioneiros da verdade e da felicidade, seja lá isso o que for… prisioneiros da animalidade e do nascer-comer-cagar-foder-procriar-dormir-e-morrer. prisioneiros da consumo, do trabalho, do dia e da noite, da razão e da falta dela, da paixão, da ambição, do ar parar respirar e viajar, do mar para mergulhar e pescar. dos vícios também. e das linguagens, da etnias, das massas corporais, das fisionomias, das diferenças sexuais. prisioneiros de um mundo que volta e meia ameaça explodir. prisioneiros do comodismo, a viver atrás da sombra, a ver o mundo da secretária, a deixar a vida acontecer na televisão. prisioneiros da gravidade, pois de outra forma seríamos eventualmente uma matéria inerte a vaguear pelo espaço. e não fosse assim, talvez acabássemos prisioneiros de um futuro pré-condicionado, em exércitos de homens perfeitos e todos iguais, videovigiados a tempo inteiro. livre é aquele que pensa. crime é ser prisioneiro da ignorância ou da indiferença. porque a sombra, afinal, não era tudo… havia uma imagem. e, à frente dela, uma pessoa.

projecto impressoimproviso +
 
evento Qual é o Teu Crime? 
local/data Plano B, Porto, Dezembro 2008
 
+ projectos
 

6 comentários

  1. olha lá e a cena revelhom? num postas nada sobre isso, um texto e cartaz? ou é pedir muito? eheheheheheh

    veijolas mafarrica*

  2. Lá está… Curtia ter estado por lá… Nesse improviso!
    Beijoka e Feliz Natal!!!!

  3. muito bom este teu texto…
    foi assim o resumo de todas as introspecções…
    bonito

  4. I de Isabel

    Deixo o me nome como culpada. Culpada de tudo. Culpada do nada. De todos esses crimes, da falta neles. A todos e com todos. Pelo tudo e pelo nada.

  5. Sirob

    “A moralidade é uma fraqueza da cabeça”

  6. txiiiiiiii, este texto promete!

    e eu presa a vocemessezes*

    lá estarei

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