na idade das trevas
”viagem medieval”, santa maria da feira, agosto 2008: SA marionetas (alcobaça) e mandrágora (vila do conde/gondomar).
era uma vez no alentejo
este não é o meu tempo… continua a não ser. demasiado ansioso para os dias brandos do alentejo e nada paciente pela surpresa-ao-virar-da-esquina que teima em não chegar.
[clicar na imagem para ver gif da magui]
>> listening: scarlett johansson feat. tom waits, “anywhere I lay my head” [ouvir aqui e ver aqui]
a verdade apanha-se com enganos
[a naifa / the last poets, festival de músicas do mundo, porto côvo/sines 2008]
« … quero ser amada só por mim / não por andar enfeitada / ser adorada mesmo assim / careca, nua, descarnada
com perfumes a presa é fácil / com jóias, casacos de peles / gosto do amor quando é difícil / e cheiro o meu hálito reles
quero ser amada à flor da pele / não quero peles de vison / amada p’lo sabor a mel / e não pela cor do baton
com cabeleira a presa é fácil / há quem se esconda atrás dos pelos / gosto do amor quando é difícil / e ser amada sem cabelos
quero que me beijem a caveira / o meu ossinho parietal / que se afoguem na banheira / p’lo meu belo occipital
com carne viva a presa é fácil / é ordinário e obsoleto / gosto do amor quando é difícil / quando me aquecem o esqueleto
quero ser amada p’la morte / p’los meus ossos de luar / quero que os cães da minha corte / passem as noites a ladrar
engano de alma ledo e cego / ó linda Inês posta em sossego imortal / diz adeus / sobe aos céus… »
… é um projecto interessante este da naifa, que interpreta letras curiosas. que “a verdade apanha-se com enganos” é um facto incontornável e por isso o vídeo da música fica aqui. a versão da “subida aos céus”, dos três tristes tigres, com letra de regina guimarães [em cima], foi um momento alto, e o vídeo original de 1993 pode aqui ser visto. os last poets, uns senhores dos 60, os supostos pais do hip hop, ditaram músicas de intervenção. as big bands americana e filandesa impressionaram e mais a voz morna da hermínia de cabo verde e os italianos-de-napoles com os seus barris-bottari, que deram baile. uma amostra dum festival que vou querer repetir.
vou ali dar um mergulho e já venho…
… e deitar um ouvido às músicas do mundo em porto covo/festival de sines.
>> listening: naifa, uma inocente inclinação para o mal [free download aqui / pass: www.portugal-albums.com]
consignação II
[cracóvia, polónia 2008 / bolhão, porto 2008]
somos seres estranhos todos os dias. [II]
[listening: andrew bird, armchairs]
estrangeiros para sempre
[katowice - polónia, abril 2008]
… diziam-me ontem: “sinto-me um pouco vazia. neste momento estou deitada no parapeito da minha janela a acordar com hong kong pela última vez. está muito nevoado e quase não se vêem as torres mais altas. mas elas estão lá, e vão ficar… eu é que sou mais um visitante a ir embora”.
não será sempre assim… em tudo?
>> para ver: paulo pimenta
excesso de informação
não conseguiria viajar sem uma máquina fotográfica. acho que nem sei o que isso é. mas fico sempre frustrada com as limitações: minhas e do objecto. nunca nenhuma cidade, nenhuma luz, nenhum karma me cabe dentro da lente. registo momentos, muitos deles únicos, mas nunca o todo. esse só o sinto. depois de ver, cheirar, ouvir, calcorrear. de me perder na tradução e no excesso de informação. visual e não só. nas pessoas, nas estórias, nas palavras.
o que fica no final? de praga [praha], fia aquele universo sinistro, medieval, escuro mesmo nos dias de sol. um cenário kafkiano, até porque o senhor é de lá, que percorro a cavalo ou dentro de um vestido comprido arrastado por cada nova esquina, sempre mais bonita e ostensiva que a anterior. fica o feeling parisiense, a aventura romântica que ali terei vivido noutro século. da polónia [polska], ficam as pessoas. as que conheci em opole, vindas de todos os lados da europa. a magosha-que-me-soa-a-margarida-em-português que viajava na mesma cabine do comboio e que falou sobre os polacos, conservadores e católicos, sobre preconceito, drogas, sexo e outros assuntos-ali-tabu, sobre a polícia-sempre-de-intervenção e o serviço-militar-obrigatório-para-todos, sobre os 150 km de auto-estrada do país e os supermercados portugueses, sobres as minas e as gentes rudes de katovice [katowic], sobre a avó que sobreviveu a um campo de concentração e os alemães-que-não-queriam-de-ser-nazis.
desta viagem fica a vodka e o excesso dela. fica a iraniana e os polacos bonitos das noites de cracóvia [krácow], mas maus de ouvido e de anca, que nos tornavam, aos latinos, em reis-da-pista-de-dança. fica a dureza da língua com os chhhs, zbrs e skys, que se vai tornando apetecível, embora não seja capaz de pronunciar três consoantes seguidas. o prato típico de pierogi, algo entre o ravioli e o rissol cozido. ficam as cem-cúpulas-de-praga e o dragão-de-wawel-de-cracóvia e os seus rios vltava e vistula. ficam, intactos, os testemunhos monumentais dos tempos da bohemia central e do império austro-hungaro. e os ícones da invasão soviética e do nazismo, a propaganda transformada em turismo. fica a música clássica nas igrejas, paredes-meias com o jazz nos clubes de esquina. fica a mesma vontade do final de cada viagem: continuar.
não conseguiria viajar sem uma máquina fotográfica. acho que nem sei o que isso é. mas fico sempre frustrada com as limitações: minhas e do objecto. nunca nenhuma cidade, nenhuma luz, nenhum karma me cabe dentro da lente. registo momentos, muitos deles únicos, mas nunca o todo. esse só o sinto. depois de ver, cheirar, ouvir, calcorrear. de me perder na tradução e no excesso de informação. visual e não só. nas pessoas, nas estórias, nas palavras.
o que fica no final? de praga [praha], fia aquele universo sinistro, medieval, escuro mesmo nos dias de sol. um cenário kafkiano, até porque o senhor é de lá, que percorro a cavalo ou dentro de um vestido comprido arrastado por cada nova esquina, sempre mais bonita e ostensiva que a anterior. fica o feeling parisiense, a aventura romântica que ali terei vivido noutro século. da polónia [polska], ficam as pessoas. as que conheci em opole, vindas de todos os lados da europa. a magosha-que-me-soa-a-margarida-em-português que viajava na mesma cabine do comboio e que falou sobre os polacos, conservadores e católicos, sobre preconceito, drogas, sexo e outros assuntos-ali-tabu, sobre a polícia-sempre-de-intervenção e o serviço-militar-obrigatório-para-todos, sobre os 150 km de auto-estrada do país e os supermercados portugueses, sobres as minas e as gentes rudes de katovice [katowic], sobre a avó que sobreviveu a um campo de concentração e os alemães-que-não-queriam-de-ser-nazis.
desta viagem fica a vodka e o excesso dela. fica a iraniana e os polacos bonitos das noites de cracóvia [krácow], mas maus de ouvido e de anca, que nos tornavam, aos latinos, em reis-da-pista-de-dança. fica a dureza da língua com os chhhs, zbrs e skys, que se vai tornando apetecível, embora não seja capaz de pronunciar três consoantes seguidas. o prato típico de pierogi, algo entre o ravioli e o rissol cozido. ficam as cem-cúpulas-de-praga e o dragão-de-wawel-de-cracóvia e os seus rios vltava e vistula. ficam, intactos, os testemunhos monumentais dos tempos da bohemia central e do império austro-hungaro. e os ícones da invasão soviética e do nazismo, a propaganda transformada em turismo. fica a música clássica nas igrejas, paredes-meias com o jazz nos clubes de esquina. fica a mesma vontade do final de cada viagem: continuar.
i’m a victim of this song
são tantas as imagens e tão pouco o meu tempo, que para já o registo possível é este: praga vista sob uma melodia encantada, dentro de um vestido de princesa, num conjunto de momentos soltos sobre um fundo branco, por enquanto à espera da lógica das palavras…
[this-movie-soundtrack: pipilotti rist, wicked game]
de facto…
primavera em praga
praga - opole - cracóvia… até já!
entretanto:
>> a subtil sugere um filme interessante
>> o tato tem um blog de fotografias bonitas
>> o cebolinha ganhou um prémio com o livro da avó





















































