over the limit
… ou não! dou por mim a pensar nisso. nos nossos princípios e nos nossos limites. nos outros. em nós. e somos sempre dois! cada um no seu querer. e queremo-nos todos. numa fronteira atribulada de neurónios e feromonas. somos tanta coisa e tanta gente que nos perdemos nos limites. precisamente aqueles que, ainda que timidamente, fizemos questão de destruir. esses dos nossos-outros-eus das gerações anteriores, que agora suamos para reproduzir. porque perseguimos exactamente o mesmo fim: paixão! …companhia, mimo, protecção, amor. uma família, de sangue ou não. trabalho, realização. honestidade, lealdade e amizade. viagens e animais de estimação. nas suas muitas equações possíveis. e queremos tudo! sob ameaça de amuarmos para o mundo, como se ele se fosse importar com isso. e com intensidade. sem pudor nem receio de pedir o que não damos. não damos por falta de atitude. ou porque não sabemos. perdemos-nos na tradução. na informação. somos pessoas-mosaico. estórias paralelas ou caminhos que se cruzam. sempre um link para outra coisa qualquer. e sobra-nos espaço! diz-se p-o-s-s-i-b-i-l-i-d-a-d-e. que, à luz da história-mãe-da-humanidade, se traduz em liberdade. utópica, ilusória, manipulada, chamem-lhe o que quiserem. mas é uma liberdade. pequenininha. que infelizmente não é para todos. mas que nos leva a furar barreiras. permite-nos quebrar o silêncio! a mim. ao outro. a cada um de nós. a todos os que se debatem diariamente com o vazio emocional do dia de amanhã. porque somos nós que riscamos a fronteiras… de consciência, de vontade, de desejo, de coerência, de equilíbrio, de honestidade, de pensamento. esse “limite” que é uma espécie de “novo pecado”, de super-ego renovado no seu papel de super-herói. que nos conduz nas relações e nas acções e que nos trava delas. um limite tão novo, que ainda não sabemos. não nos sabemos ser nele.
>> sábado, 14 de junho, às 15h = impressoimproviso = muuda (porto)
>> todos os dias, das 13h às 24h = “a tela de uma história que não se acende”, exposição de fotografia de ana pereira = silo espaço cultural (norteshopping)
… no dia da revolução
[sexta-feira, dia 25 de abril, a partir das 22h, o IMPRESSOIMPROVISO vai estar nos maushábitos]
máquina fotográfica, computador, impressora, cola, papéis, tesouras e mãos. com, através e para as pessoas, o objectivo deste improviso é manipular imagens impressas e construir um mural. uma parede de gentes, de objectos e de momentos presentes. um manifesto sobre o tempo…
… o nosso tempo. um tempo de abundância, de velocidade, de eficácia. de consumo imediato, descartável e com prazo de validade. um tempo com pressa… sem-muito-tempo. um tempo para ter… telemóvel, laptop, ipod. muitos cds, muitos livros. carro, casa e roupa lavada. consumo, consumo, consumo. d-i-n-h-e-i-r-o… sem ele, o tempo não vale muito. um tempo para saber tudo. ideias diversas e saberes fragmentados, algo dispersos e por vezes contraditórios. conjuntos de momentos impressos em padrão mosaico. um tempo para reter pouco. na massa cinzenta colectiva, orgânica…ou não. se saiu mal, apaga-se, se ficou bem, arquiva-se. na memória, no cartão… um tempo para respigar, reciclar, reutilizar. porque a autenticidade está em vias de extinção, mas a criatividade não. um tempo que pede por uma nova revolução! um tempo para ser… um genoma de bites, uma matriz de sentimentos, uma tabela de experiências, uma relação de culturas, um molde de raças, um protótipo de fé. e sempre o link para outra coisa qualquer… um tempo de verdade? na verdade… não interessa. não há tempo! a vida é um improviso.
ana pereira [imagem], geovane freitas [manipulação], joão albino [manipulação], mafalda martins [texto]

