nesta meia-hora de verão…
… as exposições de david goldblatt em serralves e de vírgilio ferreira no CPF
… e um filminho brutal do BLU.
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dias de verão
quando a nortada…
… nos rouba a praia, nós fugimos com o sol para o campo.
>> a nuvem voadora já está on-line. espreitar AQUI!
[listening: steppenwolf, born to be wild]
era uma vez no alentejo
este não é o meu tempo… continua a não ser. demasiado ansioso para os dias brandos do alentejo e nada paciente pela surpresa-ao-virar-da-esquina que teima em não chegar.
[clicar na imagem para ver gif da magui]
>> listening: scarlett johansson feat. tom waits, “anywhere I lay my head” [ouvir aqui e ver aqui]
juggling at the end of the world
… eu sou boa nisto
[praga, abril 2008]
procrastinação é…. adiar, prolongar o começo, sonhar-acordado.
>> o filme neste link: procrastination is…
>> o festival desta semana neste link: curtas-metragens de vila do conde.
…
as-pequenas-coisas…*
comecei a escrever com hífenes quando li o-deus-das-pequenas-coisas. a autora indiana fazia-o com maiúsculas. há conceitos que cabem melhor dentro destes comboios-de-palavras. uma espécie de compactação de ideias que responde às necessidades de velocidade e de imediatismo. e de superficialidade, pois assim não é preciso dizer tanto… até porque já não há tanto que dizer. e muito pouco para inventar. nada que imite a descoberta da roda ou do fogo… nem tão pouco que simule algo infinitamente menor do que isso. o nosso momento, esta migalha-de-tempo-de-vida, não é um épico! e a diferença, creio, está nas pequenas-coisas. nestas que estão aqui à mão. na palavra para inverter a-crise-e-o-mundo-e-o-preço-dos-combustíveis-e-a-falta-de-valores, mas isso fica para o próximo post. na liberdade de acção para reinventarmos a pessoa, essa que é a valia de não termos nascido na idade média. na possibilidade de atravessarmos a rua para descobrir o outro lado… e conhecermos a nossa sombra, individual e única. mas há um trajecto implícito: caminhar pela estrada antes de atravessar. e lá, no fim do percurso, que é sempre apenas mais um, podemos então morder a tarde-de-amora-com-sabor-a-amor e, quem sabe, roubar o beijo de alguém… como no filme.
*… ou o 42.º post.
momentos…
never good enough
… o que fazer quando somos irremediavelmente médios em tudo o que fazemos?
[listening: grinderman, go tell the woman]
este não é o meu tempo
[tresmundes, trás-os-montes, maio de 2008]
foi nesta casa que nasceu o meu avô paterno. em 1906, creio. já morreu. tinha 94 anos e eu uns 26… não estou certa. nunca tinha ido à aldeia, a tresmundes. só à outra, a da minha avó com quem me pareço, que se chama limãos. ambas ficam perto de chaves, entre as montanhas, na conclusão de estradas estreitas de terra batida. quase sem habitantes. a casa foi sendo morada de outras pessoas. ainda primos, com certeza, que não conheço. mas o baú continua lá. a mala de viagem do pai do meu avô. alguém que nasceu há já dois séculos e que gravou as suas iniciais numa arca [P.M.]. ali foi colocada e ali permanece. o marco de um tempo que não é o meu.
[listening: feist, the reminder]
>> “o apocalipse dos trabalhadores” - novo romance de valter hugo mãe
over the limit
… ou não! dou por mim a pensar nisso. nos nossos princípios e nos nossos limites. nos outros. em nós. e somos sempre dois! cada um no seu querer. e queremo-nos todos. numa fronteira atribulada de neurónios e feromonas. somos tanta coisa e tanta gente que nos perdemos nos limites. precisamente aqueles que, ainda que timidamente, fizemos questão de destruir. esses dos nossos-outros-eus das gerações anteriores, que agora suamos para reproduzir. porque perseguimos exactamente o mesmo fim: paixão! …companhia, mimo, protecção, amor. uma família, de sangue ou não. trabalho, realização. honestidade, lealdade e amizade. viagens e animais de estimação. nas suas muitas equações possíveis. e queremos tudo! sob ameaça de amuarmos para o mundo, como se ele se fosse importar com isso. e com intensidade. sem pudor nem receio de pedir o que não damos. não damos por falta de atitude. ou porque não sabemos. perdemos-nos na tradução. na informação. somos pessoas-mosaico. estórias paralelas ou caminhos que se cruzam. sempre um link para outra coisa qualquer. e sobra-nos espaço! diz-se p-o-s-s-i-b-i-l-i-d-a-d-e. que, à luz da história-mãe-da-humanidade, se traduz em liberdade. utópica, ilusória, manipulada, chamem-lhe o que quiserem. mas é uma liberdade. pequenininha. que infelizmente não é para todos. mas que nos leva a furar barreiras. permite-nos quebrar o silêncio! a mim. ao outro. a cada um de nós. a todos os que se debatem diariamente com o vazio emocional do dia de amanhã. porque somos nós que riscamos a fronteiras… de consciência, de vontade, de desejo, de coerência, de equilíbrio, de honestidade, de pensamento. esse “limite” que é uma espécie de “novo pecado”, de super-ego renovado no seu papel de super-herói. que nos conduz nas relações e nas acções e que nos trava delas. um limite tão novo, que ainda não sabemos. não nos sabemos ser nele.
>> sábado, 14 de junho, às 15h = impressoimproviso = muuda (porto)
>> todos os dias, das 13h às 24h = “a tela de uma história que não se acende”, exposição de fotografia de ana pereira = silo espaço cultural (norteshopping)
consignação II
[cracóvia, polónia 2008 / bolhão, porto 2008]
somos seres estranhos todos os dias. [II]
[listening: andrew bird, armchairs]
mudança
[opole, polónia, abril 2008]
é a terceira vez que escrevo isto no diário-de-sombras. que estou em fase de mudança. de vida, de trabalho, até de óculos e, com jeitinho, quem sabe de sexo… é a terceira vez que cito a minha avó, que a cada mudança me repete em tom esperançoso e de olho brilhante o seu “quem-muda-deus-ajuda”… é a terceira vez que, assumindo não acreditar em deus, digo que gosto muito de acreditar nela.
[listening: cat power - new york, jukebox ]
o porto escuro…
excesso de informação II
[maus hábitos, abril 2008]
não gosto do olhar cúmplice dos fumadores que se cruzam comigo nas escadas durante a tarde de trabalho, apenas porque me vêem com um maço de cigarros na mão.
[cracóvia, abril 2008]
não gosto que me impinjam livros nos correios, máquinas de café nos bancos, batatas-fritas-em-promoção nas bombas de gasolina, viagens nas companhias de seguros e a tv-cabo-vezes-sem-fim por telefone.


































