nesta meia-hora de verão…
… as exposições de david goldblatt em serralves e de vírgilio ferreira no CPF
… e um filminho brutal do BLU.
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dias de verão
quando a nortada…
… nos rouba a praia, nós fugimos com o sol para o campo.
>> a nuvem voadora já está on-line. espreitar AQUI!
[listening: steppenwolf, born to be wild]
na idade das trevas
”viagem medieval”, santa maria da feira, agosto 2008: SA marionetas (alcobaça) e mandrágora (vila do conde/gondomar).
eu quero… [ou inquietação crónica]
« o mal todo do romantismo é a confusão entre o que nos é preciso e o que desejamos. todos nós precisamos das coisas indispensáveis à vida, à sua conservação e ao seu continuamento; todos nós desejamos uma vida mais perfeita, uma felicidade completa, a realidade dos nossos sonhos e é humano querer o que nos é preciso, e é humano desejar o que não nos é preciso, mas é para nós desejável. o que é doença é desejar com igual intensidade o que é preciso e o que é desejável, e sofrer por não ser perfeito como se se sofresse por não ter pão. o mal romântico é este: é querer a lua como se houvesse maneira de a obter. »
bernardo soares / fernando pessoa, episódio 53 de “o livro do desassossego” [o livro on-line AQUI]
que horas são?
« quando fechei os olhos, senti o cheiro do vento. uma aragem de maio, inchada como uma peça de fruta, com a parte de fora áspera e o interior doce e carnudo, a rebentar de sementes. a polpa aberta e escancarada aos elementos da natureza, libertando as suas sementes de encontro à pele nua dos meus braços e deixando ficar no ar um ténue rasto de dor. - que horas são? perguntou… »
>> reading: haruki murakami, “a rapariga que inventou um sonho” = mais informações AQUI
[este fim-de-semana: festival ollin kan em viladoconde e herbie hancock no palácio de cristal]
era uma vez no alentejo
este não é o meu tempo… continua a não ser. demasiado ansioso para os dias brandos do alentejo e nada paciente pela surpresa-ao-virar-da-esquina que teima em não chegar.
[clicar na imagem para ver gif da magui]
>> listening: scarlett johansson feat. tom waits, “anywhere I lay my head” [ouvir aqui e ver aqui]
juggling at the end of the world
a verdade apanha-se com enganos
[a naifa / the last poets, festival de músicas do mundo, porto côvo/sines 2008]
« … quero ser amada só por mim / não por andar enfeitada / ser adorada mesmo assim / careca, nua, descarnada
com perfumes a presa é fácil / com jóias, casacos de peles / gosto do amor quando é difícil / e cheiro o meu hálito reles
quero ser amada à flor da pele / não quero peles de vison / amada p’lo sabor a mel / e não pela cor do baton
com cabeleira a presa é fácil / há quem se esconda atrás dos pelos / gosto do amor quando é difícil / e ser amada sem cabelos
quero que me beijem a caveira / o meu ossinho parietal / que se afoguem na banheira / p’lo meu belo occipital
com carne viva a presa é fácil / é ordinário e obsoleto / gosto do amor quando é difícil / quando me aquecem o esqueleto
quero ser amada p’la morte / p’los meus ossos de luar / quero que os cães da minha corte / passem as noites a ladrar
engano de alma ledo e cego / ó linda Inês posta em sossego imortal / diz adeus / sobe aos céus… »
… é um projecto interessante este da naifa, que interpreta letras curiosas. que “a verdade apanha-se com enganos” é um facto incontornável e por isso o vídeo da música fica aqui. a versão da “subida aos céus”, dos três tristes tigres, com letra de regina guimarães [em cima], foi um momento alto, e o vídeo original de 1993 pode aqui ser visto. os last poets, uns senhores dos 60, os supostos pais do hip hop, ditaram músicas de intervenção. as big bands americana e filandesa impressionaram e mais a voz morna da hermínia de cabo verde e os italianos-de-napoles com os seus barris-bottari, que deram baile. uma amostra dum festival que vou querer repetir.
vou ali dar um mergulho e já venho…
… e deitar um ouvido às músicas do mundo em porto covo/festival de sines.
>> listening: naifa, uma inocente inclinação para o mal [free download aqui / pass: www.portugal-albums.com]
impressões-nem-sempre-digitais
as imagens são do impressoimproviso nos maus hábitos, mas o filmezinho foi da edição que fizemos no muuda. os links vão dar às respectivas referências.
>> listening: ben harper, sexual healing.
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… eu sou boa nisto
[praga, abril 2008]
procrastinação é…. adiar, prolongar o começo, sonhar-acordado.
>> o filme neste link: procrastination is…
>> o festival desta semana neste link: curtas-metragens de vila do conde.
…
as-pequenas-coisas…*
comecei a escrever com hífenes quando li o-deus-das-pequenas-coisas. a autora indiana fazia-o com maiúsculas. há conceitos que cabem melhor dentro destes comboios-de-palavras. uma espécie de compactação de ideias que responde às necessidades de velocidade e de imediatismo. e de superficialidade, pois assim não é preciso dizer tanto… até porque já não há tanto que dizer. e muito pouco para inventar. nada que imite a descoberta da roda ou do fogo… nem tão pouco que simule algo infinitamente menor do que isso. o nosso momento, esta migalha-de-tempo-de-vida, não é um épico! e a diferença, creio, está nas pequenas-coisas. nestas que estão aqui à mão. na palavra para inverter a-crise-e-o-mundo-e-o-preço-dos-combustíveis-e-a-falta-de-valores, mas isso fica para o próximo post. na liberdade de acção para reinventarmos a pessoa, essa que é a valia de não termos nascido na idade média. na possibilidade de atravessarmos a rua para descobrir o outro lado… e conhecermos a nossa sombra, individual e única. mas há um trajecto implícito: caminhar pela estrada antes de atravessar. e lá, no fim do percurso, que é sempre apenas mais um, podemos então morder a tarde-de-amora-com-sabor-a-amor e, quem sabe, roubar o beijo de alguém… como no filme.
*… ou o 42.º post.
momentos…
cigarettes and chocolate milk
[rufus wainwright, casa das artes de famalicão, junho de 2008]
e foi o que foi, sem direito a mais nem menos. uma voz capaz de, sozinha, encher um auditório. e de tirar o fôlego dos que lá estavam. o piano e a guitarra como acompanhamento prodigioso, o humor como suporte, para quebrar a intensidade desconcertante de cada música. muitas das melodias ansiadas, com direito a uma “greek song” e a alguns “cigarettes and chocolate milk”. o momento “hallelujah” do cohen (…ou será do cage?) a apelar à lágrima. e ainda assim, duas-horas-e-picos e três encores depois, ouviam-se uns quantos “faltava aquela”, sempre mais uma, nos corredores de saída. pelo meio, uns assobios à alemanha, por quem iria torcer (azarito!) ao lado do namorado; uns piropos à selecção turca, não tivesse os jogadores mais giros; uns trocadilhos com a orquídea que trazia ao peito e o carpaccio de bacalhau que comera ao jantar; um elogio (?) à cidade do porto, “fantástica… mas surreal”; uma dica sobre o blackoutsabbath que promoveu e uma martelada no saint-john-the-baptist da sua terra natal. et voilá…
[listening: hallelujah]


































