diário de sombras

o meu sonho

Posted in diário, sonhos by maf* on 24 Março, 2009

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outra vez. com medo e a correr. mas num cenário diferente. terrífico sem ser negro. um-mundo-no-fim-do-mundo. um dia sem amanhã, anunciado que fora numa conversa com a minha mãe. choveriam monolitos. viriam do espaço nesse último dia de um dois-mil-e-qualquer-coisa-que-há-de-vir. blocos de pedra gigantes. muitos e envoltos em bolas de fogo. e nós sabíamos. sabíamos e aceitávamos a inevitabilidade. as nossas casas iam desaparecendo. e as pessoas. sem rasto. sem ruína. ausentavam-se. não era a guerra. não era a morte. era tão somente um fim. estava frio. o vento ambicioso empoeirava a areia no ar. já não fugíamos. olhávamos o céu. desviávamo-nos dos blocos de pedra. sem esforço. sem inteligência. e pensávamos na perda. dos nossos. doía, mas não amargurava. a dada altura os monolitos eram afinal pedaços de monumentos. de uma arcada gótica, de uma muralha árabe… sempre a cair. brutais. alinhados que vinham do céu como uma forte chuva tropical. e o chão sempre a tremer. e as bolas de fogo. então deixamos de olhar. não valia a pena esperar. eu e aqueles que eu não conhecia. numa casa onde nunca estivera. éramos todos anónimos nessa altura. e sentamo-nos à mesa. inventamos um conforto. servimo-nos de uma refeição quente e enchemos os copos de vinho. num silêncio ébrio. fosse aquele o último momento e tudo estava certo.

 

 

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violentamente bom

Posted in conclusões, diário, fotografia, na idade dos porquês by maf* on 19 Março, 2009

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[série "na idade dos porquês" - FIM]

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a vida é demasiado curta para andar metida no bolso. para ficar contida no riso ou no choro, no grito ou no palavrão. demasiado breve para se perder nas hipóteses. para não ser experimentada ao pormenor. a vida é demasiado efémera para ficar dobrada na gaveta. para ser gasta em contemplação. demasiado rápida para ser poupada. para ser defendida dos excessos. a vida é demasiado entrelaçada para ser explicada com coerência. para ser analisada em números. demasiado rica para imobilizar opções. para ser deixada à sorte. a vida é demasiado valiosa para ser desperdiçada. para não ser esmiuçada no amor e na emoção. demasiado habitada por pessoas para cair em solidão. para ser evitada. a vida é demasiado cruel para ser recebida com tolerância. para ser sentida sem revolta. demasiado cheia para ser vivida na ignorância. para ser dividida com a indiferença. a vida… é demasiado! por ser o equilíbrio no limiar da loucura. por ser a intensidade que bate a leveza. por ser o nosso compromisso maior.

 

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>> a série “na-idade-dos-porquês” integra colectiva da primavera, apresentada na póvoa de varzim, no sábado dia 21.

 

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do outro lado do espelho

Posted in conclusões, fotografia, na idade dos porquês by maf* on 12 Março, 2009
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[série "na idade dos porquês"]
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hoje parti um espelho.

um desafio à sorte, a que gosto de estar grata. uma provocação ao acaso, não fosse a vida esta admirável coincidência de dias. e há muitos espantos nesta casualidade. há um momento, este que abeiro agora, onde desastradamente escorrego um espelho pelas mãos. não se trata de sorte, ou da falha dela, mas desse momento primeiro, onde me é permitido passar para o outro lado.

ouso olhar para mim. um reflexo des-cons-tru-í-do. como se desmontasse a figura em legos, sob a possibilidade de a reconstruir de um outro jeito. uma reinterpretação dos episódios de um livro, que aqui se pode ler na terceira pessoa.

o que outrora levou dias, anos, energia, reduz-se hoje a uma frase, a uma palavra até, de tão simples e lúcida – e fria e dura – que é a conclusão. mas tão tranquila… tão sem amor como sem mágoa, que torna absurda a obsessão pelos pormenores da lógica. que simples é perceber aquele dia em que nos enganamos ou a altura em que nos iludimos ou o momento em que fomos geniais ou… enjoa de tão claro que agora  é.

deixo então de querer desvendar o delicado circuito integrado de atitudes, de expectativas, de pessoas, de coisas, dos dias, para apenas me localizar nele. olho ao espelho e estico o dedo: estou aqui.

 

>> para anotar: 10 passos depois das árvores
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