diário de sombras

mulher-de-emergência [0.1]

Posted in conclusões, diário by maf* on 5 Novembro, 2008

mulheres3mulheres1

[alcobaça, setembro 2008]

 

a mulher moderna tem, de facto, de reaprender a cozinhar. e de ter tempo para depilar as pernas e arranjar as sobrancelhas, de se maquilhar pela manhã e rodopiar perfeita durante o dia… ao longo do qual deve ter em atenção o que come e arranjar um meio de alguma hora para fazer exercício. tem de se empenhar naquele trabalho que faz de si a mulher realizada e independente e que lhe permite conduzir-se em quatro-rodas-autónomas nesse final de tarde às compras… para chegar a casa e cozinhar um delicioso jantar de coisas frescas e verdes. em casa, a mobília reluz perfumada e as roupas são estendidas e engomadas para seduzirem o corpo que as há-de vestir de enfiada na manhã seguinte. tem de namorar muito e de perseguir os seus sonhos. algures na matemática das horas entram os filhos, que não poderão tardar ou sujeitam-se a vir fora do prazo-de-validade-dos-óvulos-contados. não! antes disso precisa de renovar o conhecimento, estudar, ler todos os livros de cabeceira e passar os olhos pelas reportagens que se amontoam na casa-de-banho em risco sério de desactualização. pelo meio, há que ter personalidade e opinião. deve acompanhar a vitória do obama nos estados unidos, ver a exposição do oliveira centenário a terminar em serralves, assistir ao blindness no cinema. tem de ter conhecido pelo menos duas cidades do mundo no último ano…  de visitar a família, de pagar as contas, de pôr água ao gato, de dormir. e algures pelo meio não se esquecer de viver.

“mulher moderna”: o que é isto? aceitam-se inputs.

 

Com as tags:,

fotografo-logo-existo

Posted in conclusões, viagens by maf* on 3 Novembro, 2008

[dublin, setembro 2008]

 

a nan goldin, umas das minhas fotógrafas de referência, dizia assim ao ípsilon/público na semana passada: “eu via-me a mim própria como a escola pós-racional, primeiro criava a obra e mais tarde tentava perceber o que é que ela significava. ainda funciono assim. trabalho com o estômago e não com a cabeça”. pois que eu me apercebo só agora que funciono assim, mais do que com o trabalho, com a própria vida: primeiro penso e depois faço, mas só no final entendo porque razão o fiz.

Com as tags:,