valha-me o deus em que não acredito!
[malahide/irlanda, setembro 2008 | birkenau/polónia, abril 2008]
estamos em tempos de crise. o clima a mudar, as bolsas a cair, o petróleo a aumentar, a banca a estourar, a violência a subir e o estado a intervir. a democracia a falir? e o capitalismo a falhar. o que vem a seguir? em todos os tempos tivemos os pensadores à frente dos sistemas. nomadismo-feudalismo-monarquia-fascismo-comunismo-democracia-capitalismo-e-outros-ismos… sempre novos modelos sociais-económicos-e-políticos a experimentar. desta vez não. terá a velocidade imposta pelas tecnologias ultrapassado a capacidade de renovação dos paradigmas? a teoria existencialista do homem-vencido-pela-máquina pode, finalmente, cair em saco roto. eu que nasci no tempo-das-fraldas-de-pano poderei não acabar na era-do-turismo-espacial. mas no oposto: numa nova idade da sobrevivência. se o sistema do vil tostão fracassar, de que nos serve um interruptor na parede? a comida não está nos bancos! riqueza maior é a de quem tem um quadrado de terra para plantar e uma galinha para engordar. e ciência, a de quem sabe dos ventos e das chuvas. a reposição do equilíbrio natural que assaltamos… qual ironia.
>> mais logo: róisín murphy, casa-da-música
dôblin vs puarto
[dublin/irlanda, setembro 2008]
em inglês diz-se dublin, em irlandês baile átha cliath e em gaélico duibhlinn. quer dizer “piscina negra” e refere-se a uma baía. dublin localiza-se na foz do rio liffey e é a capital e maior cidade da república da irlanda. tem cerca de 500 mil habitantes no centro da cidade e 1,6 milhões no total. foi fundada pelos vikings. é a cidade de homens-das-letras como bernard shaw, bram stoker, oscar wilde, yeats, beckett ou james joyce, o autor de “ulisses”, que dedicou à cidade o seu “the dubliners”. é a cidade pop dos anos 90, dos U2, bob geldof ou sinead o’connor.
faz lembrar o porto… mas depois nem por isso.
tem muitos museus, que acolhem espólios ricos de arte antiga, moderna e contemporânea. tem uma galeria nacional. tem o estúdio do francis bacon à hora da sua morte recriado dentro dum destes espaços. tem um arquivo e uma galeria nacional de fotografia. tem uma programação exaustiva de música, artes plásticas, cinema/vídeo, dança e teatro… festivais a toda a hora, é difícil escolher. tem as ruas planas perfeitas para se percorrerem os quilómetros mínimos necessários para se conhecer uma cidade. tem muita chuva, mas os dubliners são alegres. as raparigas têm todas um carrinho de bebé à frente e os rapazes embebedam-se a partir das 7. tem sempre assunto e há sempre conversa e as ruas estão dia-e-noite carregadas de gente. tem muitos emigrantes. o dinheiro da UE parece bem investido, a comida nunca é realmente boa, a guiness é farta e o whisky é bom. tem muito verde e a linha do horizonte parece diferente.
apesar da tentativa dos corvos-que-lá-substituem-as-gaivotas de me distraírem as fotografias, o mood da viagem foi de limpeza e de boa-disposição. andou-se tanto, dormiu-se pouco, viu-se muito… e ainda que se chorasse em inglês, foi apenas para que se tornasse óbvio que rir com vontade só mesmo em português.
todos prá rua!
>> “e se esta rua fosse minha”, sábado, 4 de outubro, plano b, rua cândido dos reis, a partir das 15 horas:
>> nuvem voadora: entra em mim
a instalação “entra em mim“, concebida pelo cesário e concretizada com a ajuda do pipa, a primeira produção de raiz da nuvem voadora, está na sala de exposições do plano b desde a passada sexta-feira, dia 26 de outubro. no vídeo [ver AQUI] está super-condensado o trabalho de instalação no local. a iniciativa insere-se no festival “e se esta rua fosse minha”, promovido pelo plano b enquanto associação cultural.
>> impresso improviso: produto humano
«somos nós e estamos todos aqui. expostos nas prateleiras, brinquedos de um sistema. somos os últimos preços de um saldo de verão. nós, a profissão, a idade, a experiência e um ou outro defeito. somos bons produtos, mão-de-obra especializada, boa apresentação e educação aprimorada, saber dos livros e das línguas acumulado no passivo da memória, facilidade de relacionamento, de adaptação e de integração. somos mercadoria. quantos designers vale um mecânico? quantos mecânicos vale um reformado? quantos reformados vale uma empregada de limpeza? quantas empregadas de limpeza vale um futebolista? a fórmula é esta: características físicas + capacidade intelectual : herança familiar x educação + saúde x Y = valor humano! o “Y” é a variável arbitrária para o número de profissionais na mesma área, o grau de exigência manual do trabalho, o investimento intelectual, a a experiência acumulada. Y é ainda o factor influência ou, em última análise, a sorte!… no final, valemos sempre X, com % de desconto. será esta má distribuição da riqueza que nos torna humanos? quem sabe… … …mas que estes cálculos não nos afastem do caminho, porque precisamos de comprar todas aquelas coisas que nos vão tornar na pessoa que gostaríamos de ser».
ana pereira (fotografia) – geo de souza (manipulação) – mafalda martins (texto *a partir de um texto de ana pereira)



































