diário de sombras

into the wild

Posted in cinema, conclusões by maf* on 28 Agosto, 2008

 

calem-me os porquês! não vai ser especial a minha vida. não vai ser única a minha figura, nem eterna a minha memória. mas é nisso que sempre me fizeram crer! que me ditaram os livros, as aventuras épicas e os momentos de amor. as viagens, os lugares, os cenários. os filmes de super-heróis e os sonhos mal-amanhados. o conhecimento. o ninho certo dos pais e dos avós. a ciência ao serviço da medicina e o aumento da esperança de vida. a comunicação, o aquecimento central e os cremes-anti-rugas. o conforto. … e estaria tudo tão bem não fosse a maldita obsessão da liberdade. e da verdade. como se fossem objectos capazes de ser pegados em mãos. eterna é a inquietação que daí nasce. que faz correr-para ou fugir-de. nem sei!… tão frenético é o ritmo sucessivo e confuso dessa auto-consumição, da qual me torno dependente, como se de adrenalina se tratasse. a certa altura vejo-me aqui como em qualquer outro lugar. i get into the wild… tal como no filme. onde a busca da essência do espírito humano se faz pelas experiências, pela necessidade de ensaiar uma vida individual e solitária, e que acaba, no limite da morte que nos colhe a todos, na constatação de uma felicidade que afinal só se vive partilhada. não é preciso ir tão longe, creio. lá sem nada, aqui com tudo, estão sempre próximos os extremos. porque a busca é justamente a mesma: essa cobiçada verdade dos livros, essa presumida liberdade dos filmes, esse pretenso dom que nos tornará especial a vida ou nela nos fará particulares. a dado ponto, esses de-onde-venho, para-onde-vou, o-que-faço-aqui revelam-se porquês absolutamente inúteis… sobretudo porque há outras importantes perguntas-com-resposta para fazer.

 

 

>> seing: into the wild, sean penn/john krakauer [AQUI]
 
>> listening: cowboy junkies, sweet jane [AQUI]

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12 Respostas

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  1. magui said, on 28 Agosto, 2008 at 5:01 pm

    quando falam na idade dos porques fico meia confusa…mas a idade dos porques não é para sempre? as questoes podem não ser as mesmas mas as duvidas estão sempre presentes. só é mau questionar quando isso nos impede de agir. porque não ter para sempre a idade dos porques? beijinhos,paz&amor e muitos porques?comos? e para ondes? com respectivas respostas …

  2. magui said, on 28 Agosto, 2008 at 5:02 pm

    …as imagens tão muito bonitas!!!beijinhos

  3. zuki pirata said, on 28 Agosto, 2008 at 5:23 pm

    muito bonito mafa!! beijinhos

  4. subtil said, on 28 Agosto, 2008 at 5:26 pm

    “O mundo avança na medida em que se pergunta”
    Agostinho da Silva
    cito o velhinho fofinho. grande filme, nao eh?

  5. catalina said, on 28 Agosto, 2008 at 5:26 pm

    muito bonito mafa!! beijinhos

  6. catalina said, on 28 Agosto, 2008 at 5:27 pm

    fue yo antes tambien…..pero aparece zuki pirata …..hehe
    beijinhos linda!!

  7. Mariza said, on 28 Agosto, 2008 at 7:14 pm

    Lindo!

  8. boneca said, on 29 Agosto, 2008 at 8:56 am

    não sei o que dizer, eu que sou a mulher dos ‘porquê’ e dos ’ses’… tens toda a razão. mas é mais forte que nós… estupidamente viciante.

  9. José Carlos Marques said, on 1 Setembro, 2008 at 12:13 am

    Identifiquei-me com este texto ao máximo :) . As palavras “não vai ser especial a minha vida. não vai ser única a minha figura, nem eterna a minha memória. mas é nisso que sempre me fizeram crer!” têm tomado conta de mim, e cada vez com mais força. E também percebo quando dizes que existem perguntas-com-resposta mais importantes para fazer. Eu felizmente já descobri o que procuro. E acho que muita gente procura o mesmo: Conforto. Seja ele em que situação for.
    Cotinua Maf.

  10. José Carlos Marques said, on 1 Setembro, 2008 at 5:32 pm

    Olá. Podias ter respondido aqui, até porque eu acho que leio mais vezes os teus comentários que os meus. Até hoje foste a única pessoa que comentou o meu blog, portanto quase que perdia o teu comentário. LOL. Mas respondendo ao que disses-te… olha que não foi há muito tempo que escolhi esse “conforto” como meta. E antes de me ter apercebido dele, nunca tinha pensado sequer na hipotese. Não foi uma coisa que ganhou importância portanto… apareceu e pronto! Mas o conforto a que me refiro não tem haver com o acomodar, percebes? É mais um estado que gostava de ter ao longo do percurso que sigo. E é um conforto muito subjectivo, porque não tem haver com o que é físico. É mais que isso. É qualquer coisa que me permite fazer o que me apetece de forma “confortável”, por assim dizer, a nível psiquico.
    Mas longe de mim, acomodar-me a um sofazito confortável em frente à televisão. Se bem que a preguiça pºor vezes também sabe bem :) .

  11. maf* said, on 1 Setembro, 2008 at 8:33 pm

    vou ter de me sentar comodamente no sofá e reflectir sobre o “conforto”, está visto, porque se calhar o segredo pode estar mesmo aí, ehehe…
    merci pelo feedback, a ti JCM e a todos! ;)

  12. André said, on 8 Setembro, 2008 at 7:15 pm

    Fotos Lindissimas maf !!! Mas tenho desde ja a dizer- te, que o manequim escolhido foi a razão para que tal beleza se proporcionasse, sem querer tirar-te algum mérito é claro, és uma excelente profissional, mas o momento proporcionou o génio. Entrarei em contacto contigo para podermos resolver a situação dos direitos do uso da imagem.

    : ) … brincadeira ah .. continua o bom desenvolvimento daquilo que te faz sentir viva, sem comos nem porquês pois a vida é uma pergunta sem resposta.

    Beijo, André


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