diário de sombras

cigarettes and chocolate milk

Publicado em música by maf* em Junho 30th, 2008

[rufus wainwright, casa das artes de famalicão, junho de 2008]

 

e foi o que foi, sem direito a mais nem menos. uma voz capaz de, sozinha, encher um auditório. e de tirar o fôlego dos que lá estavam. o piano e a guitarra como acompanhamento prodigioso, o humor como suporte, para quebrar a intensidade desconcertante de cada música. muitas das melodias ansiadas, com direito a uma “greek song” e a alguns “cigarettes and chocolate milk”. o momento “hallelujah” do cohen (…ou será do cage?) a apelar à lágrima. e ainda assim, duas-horas-e-picos e três encores depois, ouviam-se uns quantos “faltava aquela”, sempre mais uma, nos corredores de saída. pelo meio, uns assobios à alemanha, por quem iria torcer (azarito!) ao lado do namorado; uns piropos à selecção turca, não tivesse os jogadores mais giros; uns trocadilhos com a orquídea que trazia ao peito e o carpaccio de bacalhau que comera ao jantar; um elogio (?) à cidade do porto, “fantástica… mas surreal”; uma dica sobre o blackoutsabbath que promoveu e uma martelada no saint-john-the-baptist da sua terra natal. et voilá…

[listening: hallelujah]

 

never good enough

Publicado em diário by maf* em Junho 19th, 2008

 

… o que fazer quando somos irremediavelmente médios em tudo o que fazemos?

 

 

[listening: grinderman, go tell the woman]

 

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este não é o meu tempo

Publicado em diário, livros by maf* em Junho 17th, 2008

[tresmundes, trás-os-montes, maio de 2008]
 

foi nesta casa que nasceu o meu avô paterno. em 1906, creio. já morreu. tinha 94 anos e eu uns 26… não estou certa. nunca tinha ido à aldeia, a tresmundes. só à outra, a da minha avó com quem me pareço, que se chama limãos. ambas ficam perto de chaves, entre as montanhas, na conclusão de estradas estreitas de terra batida. quase sem habitantes. a casa foi sendo morada de outras pessoas. ainda primos, com certeza, que não conheço. mas o baú continua lá. a mala de viagem do pai do meu avô. alguém que nasceu há já dois séculos e que gravou as suas iniciais numa arca [P.M.]. ali foi colocada e ali permanece. o marco de um tempo que não é o meu.

[listening: feist, the reminder]

 

>> “o apocalipse dos trabalhadores” - novo romance de valter hugo mãe

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over the limit

Publicado em conclusões, diário, exposições, impressoimproviso by maf* em Junho 13th, 2008

 

 

… ou não! dou por mim a pensar nisso. nos nossos princípios e nos nossos limites. nos outros. em nós. e somos sempre dois! cada um no seu querer. e queremo-nos todos. numa fronteira atribulada de neurónios e feromonas. somos tanta coisa e tanta gente que nos perdemos nos limites. precisamente aqueles que, ainda que timidamente, fizemos questão de destruir. esses dos nossos-outros-eus das gerações anteriores, que agora suamos para reproduzir. porque perseguimos exactamente o mesmo fim: paixão! …companhia, mimo, protecção, amor. uma família, de sangue ou não. trabalho, realização. honestidade, lealdade e amizade. viagens e animais de estimação. nas suas muitas equações possíveis. e queremos tudo! sob ameaça de amuarmos para o mundo, como se ele se fosse importar com isso. e com intensidade. sem pudor nem receio de pedir o que não damos. não damos por falta de atitude. ou porque não sabemos. perdemos-nos na tradução. na informação. somos pessoas-mosaico. estórias paralelas ou caminhos que se cruzam. sempre um link para outra coisa qualquer. e sobra-nos espaço! diz-se  p-o-s-s-i-b-i-l-i-d-a-d-e. que, à luz da história-mãe-da-humanidade, se traduz em liberdade. utópica, ilusória, manipulada, chamem-lhe o que quiserem. mas é uma liberdade. pequenininha. que infelizmente não é para todos. mas que nos leva a furar barreiras. permite-nos quebrar o silêncio! a mim. ao outro. a cada um de nós. a todos os que se debatem diariamente com o vazio emocional do dia de amanhã. porque somos nós que riscamos a fronteiras… de consciência, de vontade, de desejo, de coerência, de equilíbrio, de honestidade, de pensamento. esse “limite” que é uma espécie de “novo pecado”, de super-ego renovado no seu papel de super-herói. que nos conduz nas relações e nas acções e que nos trava delas. um limite tão novo, que ainda não sabemos. não nos sabemos ser nele.

 

 

>> sábado, 14 de junho, às 15h = impressoimproviso = muuda (porto)

 

>> todos os dias, das 13h às 24h = “a tela de uma história que não se acende”, exposição de fotografia de ana pereira = silo espaço cultural (norteshopping)

 

 

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consignação II

Publicado em diário, viagens by maf* em Junho 12th, 2008

[cracóvia, polónia 2008 / bolhão, porto 2008]

 

somos seres estranhos todos os dias. [II]

 

[listening: andrew bird, armchairs

 

mudança

Publicado em diário by maf* em Junho 4th, 2008

[opole, polónia, abril 2008]

 

é a terceira vez que escrevo isto no diário-de-sombras. que estou em fase de mudança. de vida, de trabalho, até de óculos e, com jeitinho, quem sabe de sexo… é a terceira vez que cito a minha avó, que a cada mudança me repete em tom esperançoso e de olho brilhante o seu “quem-muda-deus-ajuda”… é a terceira vez que, assumindo não acreditar em deus, digo que gosto muito de acreditar nela.

 

 [listening: cat power - new york, jukebox ]

 

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