estrangeiros para sempre
[katowice - polónia, abril 2008]
… diziam-me ontem: “sinto-me um pouco vazia. neste momento estou deitada no parapeito da minha janela a acordar com hong kong pela última vez. está muito nevoado e quase não se vêem as torres mais altas. mas elas estão lá, e vão ficar… eu é que sou mais um visitante a ir embora”.
não será sempre assim… em tudo?
>> para ver: paulo pimenta


é engraçado as relações que se estabelecem com as cidades. eu que sou doente pelo caetano e não me espantaria se me nascesse um filho dele de tanto o adorar (vhm direitos de autor) resumo tudo isso ao sampa. e porque me apetece vou deixa lo aqui, para ti e para a ana-de-olhos-em-bico:
Alguma coisa acontece
No meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga
E a Avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui
Eu nada entendi
Da dura poesia concreta
De tuas esquinas
Da deselegância discreta
De tuas meninas…
Ainda não havia
Para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece
No meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga
E a Avenida São João…
Quando eu te encarei
Frente a frente
Não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi
De mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio
O que não é espelho
E a mente apavora o que ainda
Não é mesmo velho
Nada do que não era antes
Quando não somos mutantes…
E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vende outro sonho
Feliz de cidade
Aprende depressa
A chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso
Do avesso do avesso…
Do povo oprimido nas filas
Nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue
E destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe
Apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas
De campos e espaços
Tuas oficinas de florestas
Teus deuses da chuva…
Panaméricas
De Áfricas utópicas
Túmulo do samba
Mais possível novo
Quilombo de Zumbi
E os novos baianos passeiam
Na tua garoa
E novos baianos te podem
Curtir numa boa…
obrigada……