excesso de informação
não conseguiria viajar sem uma máquina fotográfica. acho que nem sei o que isso é. mas fico sempre frustrada com as limitações: minhas e do objecto. nunca nenhuma cidade, nenhuma luz, nenhum karma me cabe dentro da lente. registo momentos, muitos deles únicos, mas nunca o todo. esse só o sinto. depois de ver, cheirar, ouvir, calcorrear. de me perder na tradução e no excesso de informação. visual e não só. nas pessoas, nas estórias, nas palavras.
o que fica no final? de praga [praha], fia aquele universo sinistro, medieval, escuro mesmo nos dias de sol. um cenário kafkiano, até porque o senhor é de lá, que percorro a cavalo ou dentro de um vestido comprido arrastado por cada nova esquina, sempre mais bonita e ostensiva que a anterior. fica o feeling parisiense, a aventura romântica que ali terei vivido noutro século. da polónia [polska], ficam as pessoas. as que conheci em opole, vindas de todos os lados da europa. a magosha-que-me-soa-a-margarida-em-português que viajava na mesma cabine do comboio e que falou sobre os polacos, conservadores e católicos, sobre preconceito, drogas, sexo e outros assuntos-ali-tabu, sobre a polícia-sempre-de-intervenção e o serviço-militar-obrigatório-para-todos, sobre os 150 km de auto-estrada do país e os supermercados portugueses, sobres as minas e as gentes rudes de katovice [katowic], sobre a avó que sobreviveu a um campo de concentração e os alemães-que-não-queriam-de-ser-nazis.
desta viagem fica a vodka e o excesso dela. fica a iraniana e os polacos bonitos das noites de cracóvia [krácow], mas maus de ouvido e de anca, que nos tornavam, aos latinos, em reis-da-pista-de-dança. fica a dureza da língua com os chhhs, zbrs e skys, que se vai tornando apetecível, embora não seja capaz de pronunciar três consoantes seguidas. o prato típico de pierogi, algo entre o ravioli e o rissol cozido. ficam as cem-cúpulas-de-praga e o dragão-de-wawel-de-cracóvia e os seus rios vltava e vistula. ficam, intactos, os testemunhos monumentais dos tempos da bohemia central e do império austro-hungaro. e os ícones da invasão soviética e do nazismo, a propaganda transformada em turismo. fica a música clássica nas igrejas, paredes-meias com o jazz nos clubes de esquina. fica a mesma vontade do final de cada viagem: continuar.
não conseguiria viajar sem uma máquina fotográfica. acho que nem sei o que isso é. mas fico sempre frustrada com as limitações: minhas e do objecto. nunca nenhuma cidade, nenhuma luz, nenhum karma me cabe dentro da lente. registo momentos, muitos deles únicos, mas nunca o todo. esse só o sinto. depois de ver, cheirar, ouvir, calcorrear. de me perder na tradução e no excesso de informação. visual e não só. nas pessoas, nas estórias, nas palavras.
o que fica no final? de praga [praha], fia aquele universo sinistro, medieval, escuro mesmo nos dias de sol. um cenário kafkiano, até porque o senhor é de lá, que percorro a cavalo ou dentro de um vestido comprido arrastado por cada nova esquina, sempre mais bonita e ostensiva que a anterior. fica o feeling parisiense, a aventura romântica que ali terei vivido noutro século. da polónia [polska], ficam as pessoas. as que conheci em opole, vindas de todos os lados da europa. a magosha-que-me-soa-a-margarida-em-português que viajava na mesma cabine do comboio e que falou sobre os polacos, conservadores e católicos, sobre preconceito, drogas, sexo e outros assuntos-ali-tabu, sobre a polícia-sempre-de-intervenção e o serviço-militar-obrigatório-para-todos, sobre os 150 km de auto-estrada do país e os supermercados portugueses, sobres as minas e as gentes rudes de katovice [katowic], sobre a avó que sobreviveu a um campo de concentração e os alemães-que-não-queriam-de-ser-nazis.
desta viagem fica a vodka e o excesso dela. fica a iraniana e os polacos bonitos das noites de cracóvia [krácow], mas maus de ouvido e de anca, que nos tornavam, aos latinos, em reis-da-pista-de-dança. fica a dureza da língua com os chhhs, zbrs e skys, que se vai tornando apetecível, embora não seja capaz de pronunciar três consoantes seguidas. o prato típico de pierogi, algo entre o ravioli e o rissol cozido. ficam as cem-cúpulas-de-praga e o dragão-de-wawel-de-cracóvia e os seus rios vltava e vistula. ficam, intactos, os testemunhos monumentais dos tempos da bohemia central e do império austro-hungaro. e os ícones da invasão soviética e do nazismo, a propaganda transformada em turismo. fica a música clássica nas igrejas, paredes-meias com o jazz nos clubes de esquina. fica a mesma vontade do final de cada viagem: continuar.











como aquele helado artesano. é como diria o menino chamado menino: fima mas continua. miss*u*
fima é bem ( fim em femininos)
há mais um candidato às cocorosie ( da minha parte vai em sete, se estiveres c a lhano passa info, senão eu falo c ela). (vou tentar muito ir amanhã, mas não sei mesmo se consigo pois vão me entregar os moveis amanhã)xicoraçãoapertamor*
muita informação é bom, para guardar para os dias em que há pouca.
ainda bem que levas a maquina fotográfica para deliciares os pobres mortais que ainda nao tiveram hipotese de lá ir.belas imagens beijinhos
fogo, eu viajo mais com as tuas palavras do que com as fotografias mas ainda bem que levas a máquina como diz a Magui- (acho que devo sofrer da mesma doença que a Inês quando fala em visitar sítios sem máquina…)-de qualquer maneira tenho é saudades tuas.beijinhos da natachosky
Que lindo entrelúdio
. continuar.