diário de sombras

excesso de informação

Posted in viagens by maf* on 17 Abril, 2008

 

não conseguiria viajar sem uma máquina fotográfica. acho que nem sei o que isso é. mas fico sempre frustrada com as limitações: minhas e do objecto. nunca nenhuma cidade, nenhuma luz, nenhum karma me cabe dentro da lente. registo momentos, muitos deles únicos, mas nunca o todo. esse só o sinto. depois de ver, cheirar, ouvir, calcorrear. de me perder na tradução e no excesso de informação. visual e não só. nas pessoas, nas estórias, nas palavras.
o que fica no final? de praga [praha], fia aquele universo sinistro, medieval, escuro mesmo nos dias de sol. um cenário kafkiano, até porque o senhor é de lá, que percorro a cavalo ou dentro de um vestido comprido arrastado por cada nova esquina, sempre mais bonita e ostensiva que a anterior. fica o feeling parisiense, a aventura romântica que ali terei vivido noutro século. da polónia [polska], ficam as pessoas. as que conheci em opole, vindas de todos os lados da europa. a magosha-que-me-soa-a-margarida-em-português que viajava na mesma cabine do comboio e que falou sobre os polacos, conservadores e católicos, sobre preconceito, drogas, sexo e outros assuntos-ali-tabu, sobre a polícia-sempre-de-intervenção e o serviço-militar-obrigatório-para-todos, sobre os 150 km de auto-estrada do país e os supermercados portugueses, sobres as minas e as gentes rudes de katovice [katowic], sobre a avó que sobreviveu a um campo de concentração e os alemães-que-não-queriam-de-ser-nazis.
desta viagem fica a vodka e o excesso dela. fica a iraniana e os polacos bonitos das noites de cracóvia [krácow], mas maus de ouvido e de anca, que nos tornavam, aos latinos, em reis-da-pista-de-dança. fica a dureza da língua com os chhhs, zbrs e skys, que se vai tornando apetecível, embora não seja capaz de pronunciar três consoantes seguidas. o prato típico de pierogi, algo entre o ravioli e o rissol cozido. ficam as cem-cúpulas-de-praga e o dragão-de-wawel-de-cracóvia e os seus rios vltava e vistula. ficam, intactos, os testemunhos monumentais dos tempos da bohemia central e do império austro-hungaro. e os ícones da invasão soviética e do nazismo, a propaganda transformada em turismo. fica a música clássica nas igrejas, paredes-meias com o jazz nos clubes de esquina. fica a mesma vontade do final de cada viagem: continuar.

 

 

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7 Respostas

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  1. subtil said, on 18 Abril, 2008 at 11:04 am

    como aquele helado artesano. é como diria o menino chamado menino: fima mas continua. miss*u*

  2. subtil said, on 18 Abril, 2008 at 11:08 am

    fima é bem ( fim em femininos)
    há mais um candidato às cocorosie ( da minha parte vai em sete, se estiveres c a lhano passa info, senão eu falo c ela). (vou tentar muito ir amanhã, mas não sei mesmo se consigo pois vão me entregar os moveis amanhã)xicoraçãoapertamor*

  3. ana said, on 18 Abril, 2008 at 12:08 pm

    muita informação é bom, para guardar para os dias em que há pouca.

  4. margaridaribeiro said, on 18 Abril, 2008 at 8:13 pm

    ainda bem que levas a maquina fotográfica para deliciares os pobres mortais que ainda nao tiveram hipotese de lá ir.belas imagens beijinhos

  5. natacha said, on 21 Abril, 2008 at 1:37 pm

    fogo, eu viajo mais com as tuas palavras do que com as fotografias mas ainda bem que levas a máquina como diz a Magui- (acho que devo sofrer da mesma doença que a Inês quando fala em visitar sítios sem máquina…)-de qualquer maneira tenho é saudades tuas.beijinhos da natachosky

  6. Sirob said, on 22 Abril, 2008 at 5:33 pm

    Que lindo entrelúdio

  7. kitato said, on 5 Maio, 2008 at 12:40 am

    . continuar.


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