a vida é bela
chegar a casa:
- encontrar um lugar-quase-legal (não fosse o parquímetro… ou será parcómetro?);
- ranger os dentes ao arrumador que insiste em pedir “moedinha” várias a vezes ao dia sem perceber que o alvo é sempre o mesmo;
- cumprimentar o guarda-nocturno do quarteirão que, no cenário das casas escuras da baixa iluminada a amarelo, remete para londres há 50 anos atrás, ainda que sem o estripador… ou não;
- dar um cigarro ao segundo junkie que reconhece a vizinhança e diz boa-noite;
- abrir a porta e apanhar um susto-de-morte com os dois adolescentes do bairro mais próximo enrolados-em-beijos nas escadas;
- sentir o cheiro bom dos cozinhados do vizinho brasileiro do terceiro andar;
- abrir a porta, trancar e relaxar.
sair de casa:
- abrir a porta, trancar e apanhar o elevador-íntimo-assim-baptizado-pelo-valter;
- esperar os segundos-da-praxe para que a porta se abra, esperando não ser hoje o dia-não das avarias, pois o telemóvel está sem saldo;
- seguir para o carro, fazer figas para que esteja lá, sem mossa ou estrago e, já agora, sem multa, pois já passa das 9;
- abrir o iogurte-líquido-de-kiwi e beber;
- sorrir-em-amarelos para o polícia municipal que está com cara de ainda não ter começado a caçada;
- dizer bom-dia ao rapaz giro das chaves, à senhora-sempre-à-porta-da-mercearia e ao vizinho da loja de ferragens;
- entrar no carro, ligar o rádio e seguir.
[listening: the kills, midnight boom]


és corajosa maf, entrar nesse elevador sozinha e sem saldo!…eu nunca fui capaz. beijinhos para ti !
eu tenho saudades desse teu elevador.
há rotinas boas que fazem bem e que começamos a gostar delas com um prazer muito só nosso e incompreensível à vista desarmada. sinto falta do meu espaço, das minhas tralhas e dos meus momentos. e sim, sempre que entro no elevador-ínimo penso: é desta! ahahahahaha, mas nunca é. veijinho queridinha*
sim, como é bonito o quotidiano nao é?
fala-nos dos sonhos num post futuro…
é engraçado que eu hoje estava precisamente a pensar em falar do meu dia-a-dia aqui em Sydney!!! que sintonia, Mafas:) olha, eu já estou com a outra, se não fossem as rotinas viveríamos na total anarquia dos sentidos!! são essas coisas familiares que nos ajudam a reconhecer-nos, a superar fases mais difíceis e a analisar friamente muitas coisas as quais julgamos impossível racionalizar. eu tenho saudades das minhas coisas, mas tenho aprendido que as tuas coisas são TU e que te acompanham para onde quer que vás. e porquê ‘elevador íntimo’?… hum, isso lembra-me logo dois amantes enroscados no elevador em eufóricos beijos e carícias… ai, que lembrança boa:)