diário de sombras

há sol na rua*

Publicado em livros, sonhos by maf* em Fevereiro 25th, 2008

maf 2

 

« há sol na rua.
gosto do sol mas não gosto da rua
então fico em casa.
à espera que o mundo venha,
com as suas torres douradas
e as suas cascatas brancas,
com suas vozes de lágrimas
e as canções das pessoas que são alegres.
ou que são pagas para cantar!
e à noite chega um momento
em que a rua se transforma noutra coisa
e desaparece sob a plumagem.
da noite cheia talvez
e dos sonhos dos que estão mortos.
então saio para a rua.
ela estende-se até à madrugada
um fumo espraia-se muito perto 
e eu ando no meio da água seca,
da água áspera da noite fresca.
o sol voltará em breve. »
* boris vian, je voudrais pas crever
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problema de expressão

Publicado em diário by maf* em Fevereiro 25th, 2008

carro 1  carro 2

sofro de um problema: a urgência.

[listening: a naifa, uma inocente inclinação para o mal]

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a vida é bela

Publicado em conclusões by maf* em Fevereiro 19th, 2008

telhado 1

 

chegar a casa:

- encontrar um lugar-quase-legal (não fosse o parquímetro… ou será parcómetro?);

- ranger os dentes ao arrumador que insiste em pedir “moedinha” várias a vezes ao dia sem perceber que o alvo é sempre o mesmo;

- cumprimentar o guarda-nocturno do quarteirão que, no cenário das casas escuras da baixa iluminada a amarelo, remete para londres há 50 anos atrás, ainda que sem o estripador… ou não;

- dar um cigarro ao segundo junkie que reconhece a vizinhança e diz boa-noite;

- abrir a porta e apanhar um susto-de-morte com os dois adolescentes do bairro mais próximo enrolados-em-beijos nas escadas;

- sentir o cheiro bom dos cozinhados do vizinho brasileiro do terceiro andar;

- abrir a porta, trancar e relaxar. 

 

telhado 2

 

sair de casa:

- abrir a porta, trancar e apanhar o elevador-íntimo-assim-baptizado-pelo-valter;

- esperar os segundos-da-praxe para que a porta se abra, esperando não ser hoje o dia-não das avarias, pois o telemóvel está sem saldo;

- seguir para o carro, fazer figas para que esteja lá, sem mossa ou estrago e, já agora, sem multa, pois já passa das 9;

- abrir o iogurte-líquido-de-kiwi e beber;

- sorrir-em-amarelos para o polícia municipal que está com cara de ainda não ter começado a caçada;

- dizer bom-dia ao rapaz giro das chaves, à senhora-sempre-à-porta-da-mercearia e ao vizinho da loja de ferragens;

- entrar no carro, ligar o rádio e seguir.

 

[listening: the kills, midnight boom]

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… porquê?

Publicado em conclusões by maf* em Fevereiro 14th, 2008

céu

porque raios é tão difícil sair da idade dos porquês?

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soledade explica…

Publicado em sonhos by maf* em Fevereiro 14th, 2008

fruta

sonhei que fugia. aflita, apavorada. de mãos cerradas, não fosse perder os filhos. sim, os filhos. que eram, na verdade, da terra mais do que meus. fugia com as mãos fechadas não fosse deixar cair as sementes. esses filhos que escondia nas mãos. os embriões-em-forma-de-pevide que, uma vez espetados na terra castanha fértil, cresceriam que nem um pé-de-feijão, mas em forma de corpo humano, de gente, com pernas e braços e olhos e coração. corria estrada fora em velocidade arrastada. fugia de quem me iria fazer mal. de quem me abriria as mãos à força e me levaria para sempre os filhos. que, uma vez plantados, cresceriam saudáveis. longe, sem nunca conhecer a mãe.

[listening: radiohead, in rainbows]

 

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os pós-modernos

Publicado em diário by maf* em Fevereiro 11th, 2008

festa 2 festa1

“ter medo é a pulsão fundamental do criador e artista, estar sóbrio é continuar, permanecer positivista”.

rui r., 1986.

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a crise

Publicado em diário by maf* em Fevereiro 8th, 2008

 porto

qualquer dia penhoram-nos os rins.

[listening: JP Simões]

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manual de instruções para conclusões banais

Publicado em conclusões by maf* em Fevereiro 7th, 2008

espaço 2 espaço

1. precisar de ideias, mais do que de factos e por vezes de pessoas; 

2. constatar o óbvio, pois o essencial nem sempre está ali à mão; 

3. ter muitas certezas-quase-absolutas, não vá ser a incoerência ser a chave do equilíbrio; 

4. acreditar no impossível, porque a fé está fora de moda; 

5. não-se-saber-por-onde-se-vai… mas-saber-que-não-se-vai-por-aí; 

6. arriscar o pretensiosismo de responder às perguntas-mãe do universo; 

7. ser dramático e, com jeitinho, teatral: 

8. ter visto muitos episódios do espaço 1999.

[listening: goldfrapp, seventh tree]

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auto-de-pressão

Publicado em diário by maf* em Fevereiro 7th, 2008

janela stardust 2     janela stardust 

a ana não gostou. e disse-me. na verdade, nem eu. mas não o sei dizer doutra forma. fiquei presa ao receio de não saber, de não saber dizer. perdi-me nas palavras, nas pessoas. não sei se me perdi delas. e encontrei uma certeza: a de que gosto de dizer e de que já não tenho medo. só medos. gosto de registar os momentos e de os reproduzir na imagem e na palavra. sem pretensões. gosto de os limar de forma a torná-los meus. sem pressões. a razão? simples: sou viciada em conclusões banais.

[listening: cat power, jukebox]

rafinée

Publicado em diário by maf* em Fevereiro 1st, 2008

comboio  

foram três meses sem nada para dizer. um silêncio necessário, quando o mais importante é dizer-pra-dentro… e baixar as expectativas, aceitar os sonhos perdidos, reciclar os objectivos, desafiar o futuro. acho que crescer é isso: aceitar sem nunca desistir. e é bom.

[listening: goldfrapp, seventh tree]

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